Movimento Integral poderia ser uma área de estudo,
pesquisa e aplicação do movimento em si, baseado em dois
princípios:
– A biomecânica da coordenação motora
– A diferenciação da musculatura em estática e dinâmica
Teria o objetivo de construir o movimento mais econômico,
os gestos, as posturas mais adequadas ao dia-a-dia,
através de um trabalho aberto a influencias que respeitem
a fisiologia do movimento.
Poderia ser realizado em grupo, proporcionando
relaxamento, realinhamento e tonificação, garantindo que
os efeitos adquiridos pela Fisioterapia Estática sejam
mantidos ou prevenindo os desvios posturais e suas
conseqüências (artroses, hérnias discais, LER).
Quando um problema traumático, reumático, neurológico,
ortopédico ou respiratório atinge o corpo humano, o
fisioterapeuta é o profissional que pode normalizar ou
recuperar o que for possível do movimento atingido pela
afecção.
Apesar de ser o reabilitador do movimento, o
fisioterapeuta, compreensivelmente voltado para a
patologia, carece de uma visão precisa sobre movimento
normal.
Aliás, quem tem esta visão?
O professor de educação física, o treinador físico, o
treinador pessoal são influenciados pela competição. "Mais
rápido, mais forte, mais alto" deixa para trás o normal, o
cotidiano e, admitamos, o saudável.
A dança clássica e muitas outras nela apoiadas são
influenciadas pelos movimentos básicos ditados pelos
mestres do século XIX, movimentos lindos mas nada
fisiológicos. Basta olhar os pés sofridos e o dorso
retificado das grandes bailarinas para vermos que seus
corpos estão longe do conforto e bem estar que o "normal"
deveria sentir.
Com o esqueleto alinhado e em boa postura o músculo
dinâmico pode trabalhar de forma eficiente. Mas como
fazê-lo? É necessário buscar mais conhecimento sobre a
fibra dinâmica e a biomecânica do esqueleto humano e sobre
estes conhecimentos construir movimentos harmônicos,
econômicos e úteis, que servirão para o aperfeiçoamento, o
refinamento dos efeitos conseguidos através da
Fisioterapia Estática ou para a prevenção dos desvios
estáticos neste corpo sedentário, que é o do homem urbano.
A visão que a anatomia e a fisiologia nos passa até hoje
sobre o movimento humano é centrada na articulação,
definindo para isto um eixo, um plano, um músculo
principal, um ou vários músculos acessórios. Apesar da
cinesiologia tradicional reconhecer que os movimentos
ocorrem de forma global não propõe um modelo, uma forma de
estudar a unidade mínima de movimento que vá além da
articulação.
Piret e Béziers, psicomotricistas francesas, propõem uma
unidade estrutural mínima capaz de movimento no livro "A
Coordenação Motora". A ela denominam "unidade de
coordenação motora".
Cada unidade de coordenação é formada por dois elementos
esféricos, que podem ser uma extremidade óssea, como é o
caso da cabeça umeral ou femural ou todo um conjunto
articular como a mão ou o pé. Estes elementos são capazes
de moverem-se um em relação ao outro, girando em sentidos
opostos graças à ação de um mesmo músculo, denominado
condutor. Da mesma forma que uma peça de roupa acaba por
dobrar-se quando torcida, essa torção gera tensão,
causando um movimento de flexão. A unidade de coordenação
se dobra em uma articulação intermediária, cuja
característica principal é a flexo-extensão e assim se
constrói o movimento humano que é essencialmente a flexão,
a extensão sendo o retorno à posição inicial para que o
movimento possa recomeçar.
Nesta nova cinesiologia, a unidade de coordenação
substitui a articulação como "unidade de movimento". (Ver
página Biomecânica da Coordenação Motora).
Além da unidade de movimento, a segunda coisa que deveria
caracterizar esta nova cinesiologia é a diferenciação da
musculatura, conforme já dito anteriormente. Assim como a
Fisioterapia Estática volta-se para o músculo estático,
combatendo suas retrações, tornando-o flexível, permitindo
ao esqueleto um alinhamento o mais próximo possível do
ortostaticamente correto, o movimento integral deveria,
partindo desse corpo alinhado, trabalhar de tal forma que
os benefícios obtidos através da Fisioterapia Estática
fossem mantidos e aperfeiçoados, ou que os indivíduos
saudáveis pudessem prevenir-se contra o aparecimento das
tensões, retrações, dores e desvios posturais causados
pelo stress.
No Projeto Convergências o trabalho corporal proposto para
a análise e sistematização de acordo com estes princípios
de Coordenação Motora é a Ginástica Holística (consultar
página Ginástico Holística).
Assim como a Ginástica Holística, outros trabalhos
poderiam ser analisados, criticados e incorporados ao
Movimento Integral, que pretende ser um trabalho tão amplo
e aberto quanto rigoroso em sua base biomecânica, calcada
na Coordenação Motora e em sua base fisiológica, calcada
na dualidade muscular. Tal dualidade, demonstrada pela
fisiologia há mais de cem anos, parece ter impressionado
muito pouco os profissionais do movimento em suas práticas
profissionais, aí incluídos ortopedistas, professores de
educação física, bailarinos e fisioterapeutas.
Tudo isso poderia compor um grande painel de movimentos
funcionais. O fisioterapeuta poderia ser o mentor de uma
"academia fisiológica", onde as pessoas poderiam ser
adequadamente trabalhadas, realizando movimentos e não
exercícios repetidos ao infinito, vivenciando a sensação
do movimento correto, procurando as melhores soluções para
suas atividades profissionais, entendendo o que é
movimento econômico, prevenção de desvios posturais,
condicionamento cárdio-respiratório adequado.
Se Fisioterapia Estática é o nome que proponho para
refletirmos a respeito de uma área de atuação que já
existe, apenas carecendo de aperfeiçoamento, Movimento
Integral é o nome que lanço para abrirmos uma nova
frente de trabalho que ainda está por ser formulada,
defendida e bem executada pelo fisioterapeuta.