Suzanne Piret e Marie Madeleine Bézier, Summus, 1992
Por Angela Santos
Nas entrelinhas de estilo barroco e complexo deste
livro encontra-se uma idéia genial a respeito do
movimento humano.
Aparentemente angular, a flexo-extensão de qualquer
segmento corporal resulta da oposição de rotações de
um lado e outro da articulação de maior amplitude de
movimento dentro do segmento que se move.
Este segmento é a unidade de coordenação e o conceito
do movimento de unidade de coordenação substitui o
movimento articular nesta nova abordagem da
cinesiologia humana.
A presença de sistemas musculares capazes de realizar
rotações opostas em cada unidade de coordenação
confere a cada uma um estado de pré-tensionamento que
lhe dá forma.
O movimento resultará da contração do mesmo sistema
muscular que modificará a posição do segmento no
espaço. Assim, "forma e movimento são solidários de um
mesmo estado de tensão, que se modifica sem se
destruir".
A reunião de todas as unidades de coordenação tensiona
o corpo dando-lhe forma e permitindo que se mova
sempre graças a rotações opostas, o que constitui a
coordenação motora.
De posse desta nova visão a análise de todas as
abordagens de movimentos terapêuticos, artísticos ou
esportivos ganha nova dimensão, permite entendê-las,
assim como aperfeiçoá-las