A Ginástica Holística propõe movimentos conscientes e
atentos a todo o corpo e não exercícios repetitivos e
automáticos. Esses movimentos são capazes de relaxar.
alongar, realinhar e tonificar a musculatura. Essa
seqüência, relaxar-alinhar-tonificar é, aliás, ideal em um
trabalho corporal que respeite a fisiologia muscular.
Este tipo de trabalho corporal tem origens no século XIX
na França com François Delsartre, ator preocupado com a
expressão vocal e corporal na interpretação teatral. Um de
seus alunos, James Steele MacKaye, americano, levou suas
idéias para o outro lado do oceano e nos Estados Unidos
elas foram apreciadas e fizeram escola a partir de 1870.
Estas idéias evoluíram, inspiraram livros e a criação de
diferentes trabalhos, que acabaram por chegar à Alemanha
antes da segunda guerra e à Elza Gindler, que também
respeitando idéias de outros autores que influenciaram a
ginástica alemã, desenvolveu seu trabalho e sua escola.
Entendia que exercícios executados mecanicamente nunca
produzem mudanças definitivas. Seu trabalho não tinha nome
específico. Seu centro de formação era o Instituto para
uma Educação Corporal Harmônica. Seu único artigo, que
sobreviveu à guerra é "A ginástica do homem que trabalha".
A partir destes nomes podemos imaginar sua preocupação com
o funcional, com o prático, com o objetivo, com a vida do
dia a dia, longe da idéia competitiva ou desportiva, que
hoje permeia o mundo daquilo que se conhece como
"ginástica".
Com ela se formou muita gente, inclusive L. Ehrenfried,
médica alemã, que fugiu do nazismo e instalou-se na
França, onde permaneceu até sua morte e lá introduziu este
trabalho, que ao longo dos anos foi conquistando alunos.
Também sem um nome oficial, seu trabalho influenciou toda
uma geração de musicistas, bailarinos, cantores,
profissionais liberais, fisioterapeutas. Therèse Bertherat
foi sua aluna e com ela seguramente encontrou a fonte para
o seu próprio trabalho que denominou Antiginástica, o qual
divulgou noções e conceitos tão importantes. Nos anos
setenta os alunos de Mme. Ehrenfried decidiram dar ao
trabalho o nome de Ginástica Holística e formaram uma
associação com o objetivo de guardar e passar a futuras
gerações todo o material prático conseguido ao longo dos
anos de convívio e aprendizado com ela.
O que hoje constitui a Ginástica Holística foi construído
através da passagem gestual dos movimentos de uma geração
para outra de alunos, que seguramente enriqueceram o
trabalho de forma anônima. Chegamos à proposição de
movimentos corporais funcionais a partir de um trabalho
centrado sobre a voz e o gesto teatral expressivo.
Assim como os contos têm uma tradição de passagem oral
através dos tempos, a Ginástica Holística se construiu
através da passagem gestual de movimentos de uma geração a
outra ao longo do século XX.
Referências Bibliográficas:
Da Educação do Corpo ao
Equilíbrio do Espírito
L. Ehrenfried trad. Angela Santos
Summus Editorial;1991
Ginástica Holística
Maria Emília Mendonça
Summus Editorial;2000
O Corpo Tem Suas Razões
Therèse Bertherat
Editora Martins Fontes;1983
François Delsartre, Une
Anthologie
Alain Porte
Éditions ipmc; Paris 1992