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Fisioterapia Estática

 

13. Procedimentos de Contato

 

 

Com suas próprias mãos ou empregando materiais adequados, a partir de um firme contato através da pele, o fisioterapeuta pode conseguir espetaculares resultados de relaxamento de retrações da musculatura tônica. Esse resultado é inegável pela sensação que se segue, pela diminuição da dor (quando presente, associada à retração) e pelo aumento da amplitude articular.

A chave para se entender esses procedimentos parece estar no órgão tendinoso de Golgi e em seus aferentes inibidores (Fig. 8).

Trata-se de uma cápsula com cerca de 1 mm de comprimento e um décimo de milímetro de diâmetro, descrita pela primeira vez em 1880 por Golgi. Apesar do nome, raramente se situa no tendão muscular. Normalmente, encontra-se na junção musculotendínea.

Esta cápsula é posicionada em série com um certo número de fibras musculares, que penetram em seu interior através de um colo estreito em forma de funil, quando dão origem a fibras colágenas que se entrelaçam e percorrem todo o comprimento da cápsula.

As fibras colágenas ligam-se de um lado ao tendão principal e do outro a 10 ou 20 fibras musculares que podem pertencer a diferentes unidades motoras.

Uma fibra aferente penetra a cápsula no meio e divide-se várias vezes, de forma a entrelaçar seus axônios com as fibras colágenas.
Os terminais nervosos Ib não inervam todos os feixes colágenos. Assim, a contração de uma fibra muscular ligada a um feixe inervado pode produzir uma boa resposta. A contração de uma fibra muscular ligada a um feixe não inervado pode produzir ausência ou diminuição de resposta, ao diminuir a tensão dos feixes inervados. O mesmo efeito é produzido por contração das fibras musculares que correm em paralelo com os órgãos tendíneos.

Como já vimos, o órgão tendinoso de Golgi é o receptor destinado a informar o sistema nervoso central sobre os níveis de tensão do músculo. É particularmente sensível à tensão causada pela contração muscular. Seu estímulo parece ser a deformação mecânica sofrida por suas estruturas, o que pode ocorrer de duas formas:

1. Por estiramento dos próprios feixes colágenos, levando à deformação dos terminais nervosos, de forma semelhante ao que ocorre nos fusos musculares, desencadeando-se um estímulo da fibra nervosa aferente inibidora.
Seria essa outra explicação para o efeito das pompages descrito anteriormente?

2. Por contração das fibras musculares e pelo conseqüente alongamento das fibras colágenas, que são seus próprios prolongamentos. Essas fibras aproximam-se e apertam os terminais nervosos a elas ligados, fazendo-os descarregar.

Assim, apertar os terminais nervosos pode ser uma forma de estimular a inervação aferente Ib que, como sabemos, é inibidora.

 

Isso pode explicar o excelente efeito obtido sobre o músculo tônico com o procedimento de contato mais simples de que dispomos: apertando longamente os pontos mais sensíveis de um músculo retraído, tenso e doloroso, diminuímos sua tensão.

 
I. Procedimentos de contato com a utilização de materiais
 

Técnicas de trabalho como a Eutonia e a Ginástica Holística são fontes de idéias para tais procedimentos, que podem ser empregados em todo e qualquer músculo tônico.

 

Figura 27

Bola de tênis sob a panturrilha.
O pé deve estar solto, de forma a não tensionar os gastrocnêmios por alongamento, o que permite atingir-se o sóleo, que é a camada profunda do tríceps e que se encontra sempre muito retraído no ser humano. A dor inicial cede aos poucos, o que indica o relaxamento.

Figura 28

Rolo de espuma sob a coluna.
O grupo muscular paravertebral, freqüentemente tenso, entra em estado de relaxamento após se manter as espinhosas apoiadas sobre rolo de espuma de alta densidade, durante um certo tempo.

Figura 29

Bolas de tênis sob os trapézios.
A manutenção de duas bolas de tênis sob os trapézios, enquanto os braços são levados para trás até, se possível, tocarem o solo, representa uma poderosa massagem relaxante desse grupo muscular, que no ser humano é classicamente tenso.

 
II. Procedimento de contato manual
 

Continuando no clássico sóleo, ao palpá-lo no meio da perna, através da bifurcação do gastrocnêmio (Fig. 19a/b) que tem na superfície uma consistência mais mole, sentimos com freqüência uma região profunda mais tensa e muito dolorida. Se mantivermos longamente a pressão sobre esse ponto, a dor passa, haverá uma sensação de alívio e a articulação tibiotársica ganha amplitude. Essa pressão pode ser exercida ao longo de toda a região posterior da perna.

 

Figura 30A

Procedimento de contato mais simples: o terapeuta comprime pontos dolorosos até obter alívio.

Figura 30B
 

O próprio paciente pode ser orientado a fazê-lo.

 
III. Massagem
 

Massagem é também um Procedimento de Contato. Trata-se do recurso fisioterápico mais antigo. Desprezado por algumas gerações de profissionais que não queriam ser confundidos com "massagistas", é um procedimento que nunca deixou de ser prestigiado pelos que sempre tiveram uma abordagem "manual" da profissão. Atualmente, quando se reconhece que as "terapias manuais", em que a mão do fisioterapeuta é o principal recurso, são as mais eficientes, é hora de se voltar para sua utilização com especial atenção.

Através da massagem estimulam-se mecanicamente os tecidos moles, o que tem efeitos circulatórios, em especial venosos e linfáticos, por produzir variação no calibre dos vasos; efeitos relaxantes ou tonificantes, por estimular receptores nervosos musculares, tendinosos, articulares e cutâneos; efeitos preventivos na formação de aderências do tecido conjuntivo pós-imobilização ou cicatrização; efeitos de drenagem das vias respiratórias.

Existem várias formas de aplicação dessa força mecânica. Cada gesto, cada forma de manipulação dos tecidos leva um nome e tem um efeito mais circulatório, mais tonificante, mais desaderante, e assim por diante. A massagem clássica descreve o deslizamento superficial, o deslizamento profundo, a fricção, o amassamento, a percussão e a vibração.

A massagem de zonas reflexas é um procedimento cujas origens remontam ao final do século passado, quando a teoria das zonas reflexas foi abordada pela primeira vez por Head Mackenzie.

Wolfrang Kohlrausch desde 1937 estudou e confirmou que transformações hipertônicas de uma determinada região estão relacionadas com um órgão portador de patologia. Por exemplo, uma crise de apendicite associa-se com uma hipertonia muscular característica de músculos do abdome e dorso, assim como do psoas, ilíaco e diafragma. Em problemas funcionais crônicos, fora de períodos inflamatórios, demonstrou-se que o tratamento da região hipertônica leva a uma diminuição rápida dos sintomas.

Um mapa das zonas cutâneas relacionadas com órgãos internos foi estabelecido e manobras de diagnóstico e tratamento das hipertonias foram descritas. Essas formas de manipulação são diferentes daquelas das massagens clássicas. Em massagem reflexa, descrevem-se o pinçamento, os traços longitudinais e transversais, o deslizamento longitudinal da prega cutânea e o transversal da prega cutânea.

Os efeitos reflexos cutaneoviscerais advindos desse tipo de massagem ainda merecem pesquisas e comprovações; no entanto, as manipulações reflexas têm efeitos seguros sobre a tonicidade muscular. Se forem aplicadas sobre a região paravertebral, onde as zonas hipertônicas estão mais concentradas, o efeito de diminuição do tônus se evidencia pela melhoria da flexibilidade da região.

Mesmo as manobras da massagem clássica podem obter efeito semelhante. Elisabeth Wood e Paul Becker citam o trabalho realizado por Nordschow e Biermann (77) sobre 25 pessoas normais para determinar se a massagem manualmente aplicada poderia causar relaxamento muscular. Os autores utilizaram um procedimento extremamente simples e conclusivo. A tensão da musculatura posterior das pernas, das coxas e do dorso foi testada através de um teste dedos-chão: cada pessoa em pé com os joelhos esticados flexionou o tronco e tocou ou tentou tocar o chão com as pontas dos dedos das mãos. Depois, foi realizada uma massagem na região dorsal do tronco durante quinze minutos e na região posterior de cada membro inferior durante sete minutos e meio cada uma. O teste foi repetido e os resultados anotados. Os autores concluíram que apenas a utilização da massagem manual pode levar ao relaxamento da musculatura.

No entanto, as manobras de massagem de zona reflexa são ainda mais eficientes na obtenção desse efeito.

 
Exemplos de procedimentos de massagem de zona reflexa
 

Figura 31

Pinçamento.

Figura 32

Traços longitudinais.

Figura 33

Traços transversais.

Figura 34

Deslizamento transversal de prega cutânea.

Figura 35

Deslizamento longitudinal de prega cutânea.

 
 
 
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