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Fisioterapia Estática

 

8. Fisioterapia Estática

 

O desvio postural deve ser atacado o mais precocemente possível, de preferência antes de transformar-se em encurtamento ou antes que o encurtamento seja muito acentuado. O exemplo mais importante é a escoliose.

 
POSTURAMENTO
 

O corpo humano, como qualquer corpo articulado submetido às leis da gravidade, para permanecer equilibrado deve compensar qualquer desequilíbrio pelo desequilíbrio inverso no mesmo plano e de mesmo valor. Assim, na patologia do músculo estático, toda deformidade é acompanhada por uma (ou mais) compensações, com o objetivo de recolocar o centro de gravidade do corpo, de forma que sua projeção continue caindo dentro da área de sustentação do corpo.

Em qualquer desvio postural, devemos procurar sua causa e qual a musculatura estática responsável por sua fixação; mas também precisamos procurar sua compensação ou compensações e verificar se estão fixadas. Se esse for o caso, é preciso eliminar a compensação antes de atacar a deformidade. Para corrigir a deformidade devemos impedir as compensações.

Exemplo (Fig. 13): Uma criança, por hábitos posturais inadequados precocemente estabelecidos, desenvolve retração do músculo sóleo. Na posição ortostática esse sóleo, encurtado, puxa a tíbia para trás, determinando o aparecimento de um recurvatum. Olhado em plano sagital, o membro inferior se posterioriza. Todo desequilíbrio requer um outro, de mesmo valor e de sentido oposto no mesmo plano, para o equilíbrio ser preservado; a pelve, pode então bascular anteriormente para recolocar o centro de gravidade à frente, centralizando-o. Isso acarreta uma hiperlordose lombar. Os paravertebrais da região, também estáticos, podem facilmente entrar em retração.

O tratamento da retração inicial (sóleo) deve ser realizado impedindo-se a compensação da lordose lombar ou será fadado ao fracasso.

 

Figura 13

Criança sedentária com hábitos posturais bem estabelecidos:
A– Só brinca assim (sóleo retraído)
B– Só dorme assim (sóleo retraído)
C– Com o tempo a retração do sóleo não desaparece, mesmo com a extensão dos joelhos na posição em pé. O sóleo retraído traciona a tíbia para trás determinando o aparecimento do genu recuvartum e este da anteversão pélvica e hiperlordose lombar

 

Figura 14A

A paciente em decúbito dorsal, pernas fletidas e coluna lombar apoiada (note a elevação dos ombros).

 

Figura 14B

Terapeuta "desenrola"o ombro e há aumentoda lordose lombar (tensão à distância)

 

Figura 15

O trabalho suave de alongamento do sóleo é realizado com a criança "em postura", o que elimina as compensações que se instalaram pela retração inicial: pelve em anteversão e hiperlordose lombar. Note-se a pelve retrovertida e a hiperlordose lombar eliminada.

 

Cada retração tratada criará tensões à distância (Fig. 14). Isto só pode ser impedido pelo "posturamento" do paciente antes de iniciar-se o procedimento que irá agir sobre a deformidade e suas compensações. A primeira a desenvolver essa idéia foi Françoise Mézières. A musculatura estática, também antigravitária, em grande proporção situada na região posterior do corpo, é colocada sob tensionamento na posição denominada "postura" por F. Mezières, e é capaz de impedir a instalação de compensações, quando exercemos um gesto terapêutico sobre o segmento a ser tratado (Figs. 15 e 16).

 

Figura 16

Paciente em postura com faixa.

 
 
 
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