O desvio postural deve ser atacado o mais precocemente possível,
de preferência antes de transformar-se em encurtamento ou antes
que o encurtamento seja muito acentuado. O exemplo mais
importante é a escoliose.
POSTURAMENTO
O
corpo humano, como qualquer corpo articulado submetido às leis
da gravidade, para permanecer equilibrado deve compensar
qualquer desequilíbrio pelo desequilíbrio inverso no mesmo plano
e de mesmo valor. Assim, na patologia do músculo estático, toda
deformidade é acompanhada por uma (ou mais) compensações, com o
objetivo de recolocar o centro de gravidade do corpo, de forma
que sua projeção continue caindo dentro da área de sustentação
do corpo.
Em qualquer desvio postural, devemos procurar sua causa e qual a
musculatura estática responsável por sua fixação; mas também
precisamos procurar sua compensação ou compensações e verificar
se estão fixadas. Se esse for o caso, é preciso eliminar a
compensação antes de atacar a deformidade. Para corrigir a
deformidade devemos impedir as compensações.
Exemplo (Fig. 13): Uma criança, por hábitos posturais
inadequados precocemente estabelecidos, desenvolve retração do
músculo sóleo. Na posição ortostática esse sóleo, encurtado,
puxa a tíbia para trás, determinando o aparecimento de um
recurvatum. Olhado em plano sagital, o membro inferior se
posterioriza. Todo desequilíbrio requer um outro, de mesmo
valor e de sentido oposto no mesmo plano, para o equilíbrio ser
preservado; a pelve, pode então bascular anteriormente para
recolocar o centro de gravidade à frente, centralizando-o. Isso
acarreta uma hiperlordose lombar. Os paravertebrais da região,
também estáticos, podem facilmente entrar em retração.
O tratamento da retração inicial (sóleo) deve ser realizado
impedindo-se a compensação da lordose lombar ou será fadado ao
fracasso.
Figura
13
Criança sedentária com hábitos posturais bem
estabelecidos:
A– Só brinca assim (sóleo retraído)
B– Só dorme assim (sóleo retraído)
C– Com o tempo a retração do sóleo não desaparece,
mesmo com a extensão dos joelhos na posição em pé.
O sóleo retraído traciona a tíbia para trás
determinando o aparecimento do genu recuvartum e este da anteversão
pélvica e hiperlordose lombar
Figura 14A
A paciente em decúbito dorsal, pernas fletidas e coluna lombar
apoiada (note a elevação dos ombros).
Figura 14B
Terapeuta "desenrola"o ombro e há aumentoda lordose lombar
(tensão à distância)
Figura 15
O trabalho suave de alongamento do sóleo é
realizado com a criança "em postura", o que
elimina as compensações que se instalaram pela
retração inicial: pelve em anteversão e
hiperlordose lombar. Note-se a pelve
retrovertida e a hiperlordose lombar eliminada.
Cada retração tratada criará tensões à distância (Fig. 14). Isto
só pode ser impedido pelo "posturamento" do paciente antes de
iniciar-se o procedimento que irá agir sobre a deformidade e
suas compensações. A primeira a desenvolver essa idéia foi
Françoise Mézières. A musculatura estática, também
antigravitária, em grande proporção situada na região posterior
do corpo, é colocada sob tensionamento na posição denominada
"postura" por F. Mezières, e é capaz de impedir a instalação de
compensações, quando exercemos um gesto terapêutico sobre o
segmento a ser tratado (Figs. 15 e 16).