A contração muscular é causada pela interpenetração dos
filamentos de actina entre os filamentos de miosina (Fig. 5). Os
filamentos de actina são atraídos ao centro durante a contração,
o que faz diminuir a distância H entre eles, até que,
eventualmente, seja suprimida por completo (contração máxima).
No relaxamento, cada elemento volta à posição inicial e a
distância H é restabelecida.
Figura 5
A interpenetração dos filamentos
de actina e miosina na contração muscular.
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Suponhamos, no entanto, que um segmento muscular estático,
funcionando em postura inadequada durante longas horas, dias ou
semanas, não seja solicitado a voltar à sua posição de
comprimento muscular máximo. É possível que, quando isso
ocorrer, os filamentos de actina não mais deslizem o suficiente
para restabelecer a distância H inicial e esse comprimento
máximo não se restabeleça (Fig. 6).
Se isso for mantido cronicamente, sem que o músculo seja
solicitado a restabelecer seu comprimento normal, ocorrerá uma
retração muscular, isto é, os miofilamentos de actina
permanecerão um pouco mais imbricados entre os de miosina, e os
elementos conjuntivos, elásticos acompanharão essa diminuição de
comprimento. Isso vai ocasionar a diminuição do comprimento
muscular e um desequilíbrio permanentemente fixado do segmento.
Figura
6
Os músculos cervicais mantidos em encurtamento durante muito tempo,
por exemplo, numa atividade profissional (A), permanecerão encurtados
em qualquer outra posição (B).
Caso
a retração ocorra em criança não tratada antes do primeiro estirão
de crescimento, tal segmento músculo-aponeurótico retraído crescerá
menos que seu segmento simétrico contralateral (o crescimento do tecido
muscular e conjuntivo se dá em função do alongamento contínuo a que
é submetido frente ao crescimento ósseo), e o desvio passará a ser
fixado não mais pela retração, mas pelo encurtamento muscular, que
é a falta de crescimento.
Os desvios posturais podem ter inúmeras causas: maus hábitos
posturais ou profissionais, alterações estruturais congênitas ou
adquiridas, fatores emocionais; mas, seja qual for a causa, o
desvio será fixado pela retração das estruturas relacionadas ao
músculo estático. Alertas vinte e quatro horas por dia, essas
fibras musculares e todo o seu invólucro conjuntivo permanecerão
retraídos: tanto quanto a elasticidade das aponeuroses e dos
tendões permitir que se retraiam, tanto quanto for possível aos
filamentos de actina e miosina interpenetrarem-se.
Tal fato nos sugere duas conclusões:
1.
Os desvios posturais devem ser combatidos o mais precocemente possível.
2. A patologia do músculo estático é sua retração ou encurtamento
e se manifesta pelo aparecimento de desvios posturais.
Devemos estudar com muita atenção essa musculatura para
determinarmos que procedimentos terapêuticos podem ser
eficientes em seu tratamento.
Ao conjunto desses procedimentos denominamos
FISIOTERAPIA ESTÁTICA.