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Fisioterapia Estática

 

3. Quem são os Estáticos e Dinâmicos?

 

Desde Ranvier, o tríceps sural é o músculo mais freqüentemente estudado ao longo do tempo e todos concordam no seguinte:

• o sóleo, vermelho, possui a maioria das unidades do tipo S (lentas), tem contração lenta e não se cansa rapidamente;
• o gastrocnêmio, pálido, tem a maioria das unidades do tipo F (rápidas) e pode desenvolver tensão maior que o sóleo, mas durante curtos períodos.

Depois dos anos 70, os trabalhos de Burke esclareceram com precisão a razão dessas características e hoje todos concordam em que os músculos estáticos, também denominados tônicos, são importantes na manutenção da postura; os dinâmicos, também denominados fásicos, são importantes na realização do movimento.

 

OS MÚSCULOS ESTÁTICOS TAMBÉM SÃO DENOMINADOS 
TÔNICOS

OS MÚSCULOS DINÂMICOS TAMBÉM SÃO DENOMINADOS 
FÁSICOS

 

Figura 2

A. O sóleo, músculo estático, encontra-se em constante atividade, para lutar contra a tendência da tíbia de desequilibrar-se à frente, sob ação da gravidade.
B. O gastrocnêmio, músculo dinâmico, contrai-se durante a marcha, de forma intermitente, para garantir que o calcâneo eleve-se do chão a cada impulso.

 
 

Seria muito interessante que anatomistas e cinesiologistas se dedicassem a descrever a ação dos músculos de acordo com essas características fisiológicas das fibras musculares.

O tríceps sural é o músculo mais estudado em fisiologia. Constitui-se de três porções. Duas mais superficiais, os gastrocnêmios, são reconhecidas como dinâmicas. O sóleo, músculo mais profundo, é a porção estática. No entanto, nos livros de anatomia a ele é sempre atribuída a função de flexão plantar, encarando-se todo o músculo como dinâmico, sem diferenciar-se a função do sóleo, músculo estático.

O que dizer então dos demais músculos? A nenhum se atribui ação estática, de controle postural. No entanto, basta observar com olhos de fisiologista para ver-se que os músculos mais 'tendíneos', que apresentam fibras musculares mais curtas e atravessam uma ou duas articulações apenas, têm vocação para estáticos.

Observemos o músculo longo do pescoço (Fig.3). Por que essa forma estranha em três diferentes fascículos?

 

Figura 3

O músculo longo do pescoço e suas porções:
• longitudinal (partindo dos corpos de C2 a D3 até as apófises transversas de C4 a C7);
• transversa superior (partindo do arco anterior do atlas até as apófises transversas de C3 a C6);
• transversa inferior (partindo dos corpos de D1 a D3 até as apófises transversas de C5 a C7).


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Normalmente, a ele se atribui a ação de anteflexão do pescoço ou de endireitamento da curva cervical, quando age bilateralmente. Sem dúvida tal ação pode ser desempenhada por essa porção longitudinal.

 

– Mas o que dizer das porções oblíquas?
– Essas fibras curtas não estariam aí colocadas para manterem a lordose cervical em seus limites fisiológicos?
– Não estariam elas lutando contra a tendência de aumentarem a curva cervical frente à gravidade e à ação de músculos lordosantes cervicais?

– No entanto, sua ação não seria postural?
– A coluna dorsal não precisa de guardiões colocados posteriormente às vértebras para impedir a queda à frente?
– Não precisa impedir o fechamento da curva frente à ação da gravidade? Não precisa de guardiões colocados lateralmente para impedir a queda do lado oposto?

 

Na realidade, as porções estáticas são as oblíquas superior e inferior, que reflexamente impedem o fechamento da curva cervical.
A porção dinâmica é a longitudinal, capaz de endireitar, isto é, abrir voluntariamente a curva cervical.

Observemos os transversos espinhais dorsais (Fig. 4), esse sistema oblíquo profundo junto à coluna com músculos todos bastante curtos, que vão de uma apófise transversa até a espinhosa da primeira, segunda, terceira e quarta vértebras situadas acima. Geralmente se atribui a eles função de extensão, quando estimulados bilateralmente, ou de flexão-lateral-rotação, quando estimulados unilateralmente, como se fossem constituídos por fibras dinâmicas.

O sistema ideal para tais funções é o transverso espinhal. A tensão que se sente ao longo da região paravertebral denuncia a presença de unidades motoras sempre alertas.

A ação desses músculos é impedir o fechamento da curva dorsal, ao agir bi-lateralmente; é impedir a látero-flexão ao lado oposto e a rotação ao seu próprio lado, agindo unilateralmente.

Marcel Bienfait, em seu livro A Fisiologia da Terapia Manual, inferiu essas funções para cada grupo muscular, mesmo sem um trabalho experimental de laboratório. Trata-se de um ensaio que merece atenção por parte de quem faz pesquisa para futuras experimentações.

 

A FUNÇÃO DO MÚSCULO ESTÁTICO OU TÔNICO é impedir o desequilíbrio, quando possível, e controlá-lo ou limitá-lo, quando necessário. Sua ação é reflexa e inconsciente.

A FUNÇÃO DO MÚSCULO DINÂMICO OU FÁSICO é realizar movimento. Sua ação é voluntária e consciente.

 
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Figura 4

O conjunto normalmente denominado transverso espinhal é constituído por quatro músculos que partem de uma mesma apófise transversa:
A– Rotador curto, que se insere na lâmina da vértebra imediatamente acima;
B– Rotador longo, que se insere na lâmina de duas vértebras acima;
C– Multifídio, que se insere na espinhosa de três vértebras acima;
D– Semi-espinhoso, que se insere na espinhosa de quatro (ou mais) vértebras acima.

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A ação do conjunto transverso espinhal na dorsal:

- Agindo bilateralmente, impede o fechamento da curva;

- Agindo unilateralmente, impede a flexão para o lado oposto e a rotação para seu próprio lado.

 
 
 
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