Home

Projeto Convergências

Fisioterapia Estática

Movimento Integral

Biomecânica da
Coordenação Motora

Ginástica Holística

Fisioterapia em Movimento

Artigos

Livros

Cursos

Cadastro de Alunos

 

Artigos

 

Diagnóstico Postural Precoce

Angela Santos

IX Congresso Paranaense De Pediatria
I Congresso Paranaense De Fisioterapia Pediátrica

 
 

O homem coloca-se em pé com os pés planos e afastados, joelhos varos em leve flexão, eixo raquidiano sem lordose lombar. Se tudo correr normalmente, os pés aproximam-se, seus arcos longitudinais se estruturam e a lordose lombar aparece na medida em que os joelhos se estendem (fig. 1).

 

 fig. 1
 
 

Analisando a evolução de cada um desses segmentos:

  • pés

  • joelhos

  • eixo raquidiano 
    podemos ter elementos para julgar precocemente se o desenvolvimento de uma criança encontra-se dentro das margens estatisticamente previsíveis ou não e, nesse caso, tomar as providências necessárias o mais precocemente possível.

A postura de pés e joelhos é o que mais preocupa pais, professores e mesmo médicos. No entanto, o diagnóstico precoce da escoliose é da maior importância. Como se trata de uma afecção que piora com o crescimento, seu tratamento deveria ser instituído o mais cedo possível. Mas, mesmo os ortopedistas não são unânimes quanto a essa necessidade. A maioria das escolioses é idiopática, assim, muitos dos profissionais que a ela se dedicam: médicos, fisioterapeutas e técnicos em órteses, acabam por se perder na análise dos porquês de um problema ainda não solucionado, deixando de adotar medidas que ao menos poderiam evitar o agravamento como diagnóstico e início precoce de fisioterapia. 

A primeira parte desse trabalho é voltada para a discussão de parâmetros simples para a avaliação do pé plano e alinhamento angular do joelho no plano frontal (varo e valgo) assim como do desenvolvimento normal desses segmentos, considerando-se as faixas etárias. 

A segunda parte discute o que é a escoliose idiopática, desvios posturais possivelmente a ela associados e porque o diagnóstico precoce é tão importante. Em seguida propõe dois procedimentos:

  • Exame clínico postural básico, de quatro itens, proposto para o pediatra, profissional melhor colocado para realizá-lo e encaminhar precocemente para o fisioterapeuta.

  • Exame clínico postural detalhado, proposto para o fisioterapeuta, que tem o objetivo de confirmar a existência da escoliose e de eventuais desvios localizados em outros segmentos corporais que requeiram compensação em rotação no eixo raquidiano coincidindo com aquele apresentado pela escoliose, que poderiam estar com ela relacionados.

 
Pés
 

Pés planos são normalmente vistos como um problema, um desvio postural, uma dificuldade funcional. No entanto, muitos pés planos são considerados fisiológicos ou flexíveis. Harris e Beath, realizaram um estudo com recrutas do exercito canadense e concluíram que pés planos e flexíveis produziam algum tipo de disfunção, apenas se acompanhados por contratura do tríceps sural. Descreveram arcos diminuídos como ¨contornos normais de um pé forte e estável e não resultado de fraqueza de estruturas plantares ou musculares que resultam em pé plano¨. Posteriormente, Giladi e colaboradores demonstraram que fraturas por estresse são mais raras em recrutas militares com arcos diminuídos.

 
Avaliação através da técnica da impressão plantar
 

Em 87, Staheli, dos mais conceituados ortopedistas pediátricos do mundo, realizou um estudo em 441 indivíduos normais com o objetivo de estabelecer uma faixa de valores normais para todos os grupos etários, com o objetivo de estabelecer bases para uma abordagem segura nos diagnósticos e terapias.

Para tanto foi necessário antes de tudo propor uma forma de avaliar. Assim, pintava a sola do pé com giz e imprimia um carimbo da sola do pé em um papel. Em seguida tomava as medidas da largura da marca na altura do calcanhar e do arco. A largura do arco era dividida pela do calcanhar obtendo-se assim um índice – o índice do arco plantar (fig. 2).

fig. 2
 

 
 

Além disso, dividiu indivíduos em 21 grupos:

  • de 1 a 14 anos em catorze grupos (até um ano, de um a dois etc)

  • de 14 a 19 anos em um único grupo

  • de 20 a 70 anos em cinco grupos (de 20 a 30, de 30 a 40 etc) 

  • acima de 70 um único grupo

Nesse estudo, a faixa do normal foi definida como estando dentro de dois desvios padrão a partir da média.

Resultados:
O índice médio do arco para homens foi 0.71 e para mulheres 0.66. Essa diferença, apesar de estatisticamente significativa, foi desprezada porque não há nisso significado prático.

Para cada um dos 21 grupos etários, foi traçado um gráfico com o índice médio do arco e os dois desvios padrão (fig. 3).

 

fig. 3

 
 

Observando-se esse gráfico concluímos que durante a infância, o valor normal do índice do arco varia de 0.70 a 1.35, o que quer dizer que uma largura do pé na área do arco de até 1.3 vezes a largura do calcanhar está dentro dos valores normais para a faixa etária (fig. 4).

 
fig. 4
 
 

Normalmente, o arco longitudinal do pé desenvolve-se durante a infância, devido em parte à perda de tecido gorduroso subcutâneo e em parte à redução da flexibilidade das articulações, o que normalmente se produz com o crescimento. Após a primeira metade do período da infância até a idade adulta, o índice do arco tem uma larga faixa de variação considerada normal, cerca de 0.30 a 1.0.

A impressão plantar, no entanto, deve ser acompanhada de um exame clínico para que se forme um diagnóstico adequado.

 
Exame Clínico
 

A flexibilidade do pé plano é mais importante que sua forma estática, segundo Vincent Mosca.
O pé plano é considerado flexível quando:

  • desaparece na posição sentada com pés pendentes sem apoio (fig. 5)

   fig. 5
 
  • desaparece no teste de elevação dorsal do hálux (fig. 6).

 

fig. 6

 
  • O tendão de Aquiles é flexível o suficiente para permitir 10º a 15º de dorsiflexão além da posição neutra com joelho em extensão e articulação subtalar mantida em posição neutra (fig. 7).

fig. 7
 
 

O pé plano flexível, com as duas primeiras características presentes, mas com tendão de Aquiles retraído é capaz de produzir disfunções muito mais freqüentemente que o pé plano flexível com o tendão de Aquiles normal.

O pé plano é considerado rígido quando seu arco permanece achatado na ausência de apoio ou no teste de elevação do hálux, o que demonstra restrição na mobilização da articulação subtalar. Esse tipo de pé plano também pode causar dor e disfunção.

 
Joelhos
 

Quando observados no plano frontal, os joelhos do recém nascido e da criança pequena apresentam-se varos, normalmente associados a certo grau de torção interna da tíbia. Tachdjian acredita tratar-se provavelmente da persistência da postura fetal dos membros inferiores. Com o desenvolvimento da postura ereta e da marcha, ambos os desvios modificam-se: as tíbias evoluem para diferentes graus de torção externa, os joelhos diminuem o varo, tornam-se valgos entre dois e três anos e finalmente corrigem o excesso de valgismo entre quatro e dez anos.

O primeiro a descrever a evolução fisiológica normal foi Böhm em 1933. Vankka e Salenius definiram a evolução normal do alinhamento dos membros inferiores estudando o desenvolvimento do ângulo tíbio-femoral clinica e radiologicamente em 1480 crianças normais. Os achados foram semelhantes em meninos e meninas (fig. 8 e fig. 9):

 

fig. 8

fig. 9

 

• 0 a 1 ano
– varo acentuado de cerca 15º

• 18 meses
– fêmur e tíbia alinhados a 0º

• 2 a 3 anos
– desenvolvimento de valgo acentuado – cerca de 12º

• até 7 anos
– gradual correção do valgo para valor normais do adulto

• 
• 

8º para mulheres
7º para homens

 
 
Exame Clínico
 

O joelho valgo é avaliado pela distância entre os maléolos, com os côndilos internos tocando-se, as patelas voltadas para frente, os tornozelos mantidos em posição neutra (90º) se a criança ainda não pode permanecer em pé (fig. 10).

 
 fig. 10
 
 

O joelho varo é avaliado pela distância entre os côndilos internos com os maléolos internos tocando-se e as patelas voltadas para frente, tornozelos mantidos em posição neutra (fig. 10).

Apesar de não ser apurado, esse método permite observações interessantes:

Morley estudou a evolução natural de 1000 joelhos valgos em crianças normais:

  • 451 crianças entre 1 e 4 anos

  • 318 crianças entre 5 e 11 anos

Seu estudo concluiu que joelhos valgos abaixo de 7 anos podem ser ignorados com certo grau de segurança, a não ser que sejam muito severos ou correlacionados a problemas conseqüentes a fraturas ou infecções.

Quanto ao joelho varo presente fora dos limites de idade já apresentados (ver gráfico fig. 9) ou presente em um grau exagerado dentro daqueles limites, deve ser encaminhado para avaliação visto haver muito mais causas possíveis: 

  • Doenças ósseas metabólicas

  • Crescimento assimétrico relacionado a trauma, infecção, tumor...

  • Displasia óssea

  • Fatores congênitos...

 
Eixo raquidiano
 

Aqui, o mais importante a se controlar são os sinais precoces de escoliose. A grande maioria das escolioses que tratamos, como já disse, é idiopática. É especialmente a elas que gostaria de
referir-me.

Segundo a enciclopédia Larousse, idiopático vem do grego idios-particular e pathos-moléstia. Refere-se a uma moléstia que tem existência própria, não sendo a conseqüência de uma outra. Em aproximadamente 70% dos casos nenhuma causa é encontrada.
Apesar desta definição, existem bibliografias nas quais levantam-se hipóteses possíveis para a existência de tal deformidade: fator hereditário, retardo no amadurecimento do sistema de equilíbrio, defeitos de metabolismo do tecido conjuntivo... Creio que ainda estamos longe de chegarmos a um consenso.

Mas, no que diz respeito ao prognóstico e à evolução, existem alguns pontos fundamentais a serem considerados que, acredito, são quase unanimemente aceitos:

  • O crescimento é determinante no agravamento da deformidade, que aumenta dramaticamente durante os estirões. 

  • Assim, quanto mais precoce o diagnóstico, mais precoce o início do tratamento, maior a chance de manutenção da curva escoliótica dentro de limites razoáveis até o final do crescimento, o que pode ser considerado um sucesso terapêutico.

  • O componente mais grave da escoliose é a rotação. Este é o sinal que mais devemos valorizar quando de um exame clínico ou radiológico.

 
Definição
 

Trata-se de uma deformidade em látero-flexão de um segmento do eixo raquidiano, acompanhado de uma rotação dos corpos vertebrais para o lado oposto. 

A rotação parece ser o parâmetro mais importante, isto é, uma latero-flexão sem rotação não deve ser valorizada como uma latero-flexão com rotação.

Por exemplo, um membro inferior mais curto requer uma látero-flexão da coluna lombar para o lado oposto, mas isso, segundo Tachdjian não tem significado clínico. Rush e Steiner afirmam que diferenças de comprimentos de membros inferiores são encontradas em 2/3 dos recrutas do exército americano, sem nenhuma correlação com problemas em vértebras ou escolioses.

Por essa razão, Marcel Bienfait afirma que, mesmo sem conhecermos as verdadeiras causas da escoliose idiopática, devemos realizar um exame clínico rigoroso e verificarmos se não existe em outro segmento corporal um desvio postural que requeira uma compensação em rotação do segmento vertebral que apresenta a escoliose. Esse pode ser um desencadeador do desvio escoliótico e, se possível, deve ser combatido rapidamente. Por essa razão, nos exames posturais aqui propostos, esses desvios rotacionais, especialmente de membros inferiores serão discutidos. O tratamento fisioterápico desses desvios devem ser realizados com o mesmo rigor aplicado ao desvio escoliótico. Eles poderiam agravá-lo ou serem dele a causa.

 
 
Diagnóstico clínico precoce das escolioses
 

O fisioterapeuta deveria ter um procedimento padrão (exame básico) através do qual fosse capaz de valorizar sinais muito sutis que indicassem clinicamente a existência de uma atitude escoliótica ou de uma escoliose em seus primeiros momentos de desenvolvimento. Este procedimento deveria ser ensinado também ao professor de educação física e ao pediatra, que são os dois profissionais que mais contato têm com crianças e adolescentes de todas as idades e que poderiam encaminhar para o fisioterapeuta para um exame detalhado para os procedimentos diagnósticos clínicos e início precoce do tratamento. Todos os detalhes desse exame podem ser encontrados em Diagnóstico Clínico Postural (5).

Normalmente, o ortopedista segue o padrão: até 20º observação, de 20º a 30º fisioterapia de 30º a 45º colete, a partir de 45º cirurgia, o que faz com que encaminhe ao fisioterapeuta apenas casos com considerável grau de rotação vertebral e fixação da curva, quando uma regressão é praticamente impossível.

 
Exame básico
 

Este exame consta das coisas mais básicas que podem indicar o início de uma escoliose de primeiro grau ou um atitude escoliótica. Este poderia ser aplicado por professores de educação física e pediatras.

  1. Equilíbrio frontal pélvico

  2. Gibosidades

  3. Perfil da cintura no plano frontal

  4. Inclinação das clavículas no plano frontal

1. Equilíbrio frontal pélvico

    I

Como realizar o exame: 

  • Paciente em pé, pés em posição fisiológica.

  • Terapeuta atrás do paciente, sentado ou ajoelhado.

  • Mãos do terapeuta: Polegares dobrados sob as palmas e os demais dedos em extensão alinhados com as palmas.

  • Terapeuta apoia firmemente sobre as cristas ilíacas empurrando-as para baixo.

  • Os olhos do terapeuta colocam-se na altura das cristas ilíacas e podem assim julgar com certa segurança se o dorso das mãos encontram-se ou não no mesmo plano (fig. 11).

fig. 11
 
 

    II

  • Se houver desnível, colocar um calço sob o membro inferior mais curto

  • Recolocar as mãos sobre as cristas ilíacas e julgar se estão alinhadas. Aqui, podem ocorrer duas coisas:

  • estão alinhadas, o que quer dizer que efetivamente o membro inferior calçado está anatomicamente mais curto e o paciente encontra-se em condições de realizar os demais exames que devem ser efetuados na posição ortostática;

  • não estão alinhadas, o que quer dizer que o examinador se enganou, deve retirar o calço e refazer o exame inicial.

    III

Por que a pelve deve estar alinhada para que os demais exames na posição ortostática possam ser realizados?
Um membro inferior pode estar mais curto que o outro por diferentes razões:

Trauma, com perda de substância óssea; pequena diferença de crescimento, que no caso de uma criança pode ser recuperada; alterações estruturais, como varos e valgos mais acentuados de um dos lados; alterações posturais como flexo ou hiperextensão unilateral de um joelho.

Seja qual for a causa, haverá uma compensação inevitável: uma látero-flexão da coluna lombar contra-lateral ao lado mais curto, o que pode parecer uma escoliose quando se observa o paciente em pé; quando este inclina-se para frente o ilíaco do membro inferior mais longo situa-se em um plano mais alto e a lombar homolateral a ele também, o que poderá ser diagnosticado como uma gibosidade. Se a pelve for adequadamente alinhada, ambos os sinais ("escoliose" em pé e "gibosidade" em inclinação anterior) desaparecem.

Esta látero-flexão da coluna lombar também pode chegar até a dorsal, desequilibrando a cintura escapular e fazendo um dos ombros parecer mais alto.

A látero-flexão lombar altera o perfil da cintura no plano frontal.

2. Gibosidades

    I

Como realizar o exame:

  • Paciente em pé frente a uma parede de cor uniforme, pés em posição fisiológica, bacia equilibrada no plano frontal, com calço se necessário for.

  • Terapeuta atrás do paciente. Paciente inclina a cabeça, deixa cair os braços em direção ao chão e lentamente movimenta-se para baixo realizando uma lenta anteflexão do tronco levando as mãos em direção aos pés até onde possível, sem forçar.

  • Terapeuta coloca os olhos no mesmo nível da vértebra que está inclinando para frente. A cada movimento de descida do paciente, o terapeuta também desce o olhar vendo desfilar cada segmento do tronco delineado contra o fundo de cor uniforme. Dessa forma, assim que houver uma assimetria das regiões paravertebrais o terapeuta consegue detectar de imediato. Pode fazer um traço sobre a vértebra correspondente ao começo e ao final da assimetria, para determinar quais as vértebras correspondentes à gibosidade (fig. 12).

fig. 12

 
 
  • O mesmo exame também pode ser realizado na posição sentada para determinar se a gibosidade se atenua, desaparece ou se mantém.

    II

Uma gibosidade corresponde a uma rotação vertebral. O corpo desloca-se para um dos lados, o lado da rotação. Deste lado a apófise transversa posterioriza-se. Na região dorsal as transversas posteriorizadas levam junto as costelas com as quais articulam-se, na região lombar as transversas empurram a massa comum muscular para trás. Em ambas as regiões isso corresponde a um aumento de volume, a uma saliência unilateral, denominada gibosidade. Em casos avançados ela é visível em posição ortostática, mas desde os primeiros graus de rotação ela é evidenciada e até localizada em inclinação anterior do tronco tal qual descrito no parágrafo anterior.

Caso a gibosidade desapareça ou se atenue no mesmo exame realizado na posição sentada:

  • deve ser devida a um desequilíbrio torcional de um dos membros inferiores, estes devem ser cuidadosamente examinados e os resultados devidamente comparados.

Caso não desapareça:

  • pode ser uma compensação de um desequilíbrio superior, cervical, escapular... 

  • pode ser devida a um desequilíbrio dos membros inferiores mas já estar muito fixada, o que impede que desapareça mesmo quando os membros inferiores são neutralizados durante o exame na posição sentada.

    III

A forma da gibosidade é importante. Se de um lado a apófise transversa posteriorizou-se, do outro a transversa anteriorizou-se proporcionalmente, assim, se de um lado a posteriorização criou uma saliência do outro a anteriorização criou uma depressão.Portanto, só consideramos uma gibosidade a convexidade que se contrapõe a um achatamento contra-lateral . Se de um lado se observa uma convexidade maior e do outro uma convexidade menor, trata-se provavelmente de uma massa muscular mais desenvolvida.

3. Perfil da cintura no plano frontal

    I

Como realizar o exame:

  • Paciente em pé com pés em posição fisiológica.

  • Terapeuta em pé frente ao paciente a uma distância suficiente para apreciar o contorno da cintura deste contra uma parede de cor uniforme.

  • Apenas o contorno da pele da cintura deve ser apreciado. Não considerar a posição dos braços em relação ao corpo.

    II

  • A região inferior do tronco e a região superior da crista ilíaca formam um ângulo que corresponde ao perfil da cintura. Se ambos os ângulos são simétricos estamos frente a uma situação normal, se forem diferentes devemos observar se a pelve foi devidamente equilibrada no plano frontal. Um membro inferior mais curto determina uma obliqüidade pélvica e uma látero-flexão lombar que alteraria este perfil.

  • Se a pelve está devidamente equilibrada e os perfis da cintura no plano frontal encontram-se assimétricos devemos comparar este exame com o das gibosidades. Uma gibosidade lombar homolateral ao ângulo mais aberto confirma uma escoliose lombar (fig. 13).

fig. 13

 
 

    III

Se os perfis da cintura estiverem assimétricos e não houver gibosidade pode tratar-se de uma translação do tronco, a ser diagnosticada no exame detalhado, descrito mais à frente.

4. Inclinação das clavículas no plano frontal

    I

Como realizar o exame:

  • Paciente em pé, pés em posição fisiológica.

  • Terapeuta em pé, frente ao paciente.

  • Terapeuta pousa suavemente os polegares, com as unhas voltadas para si, sobre as extremidades externas das clavículas, junto às articulações acrômio-claviculares.

  • Terapeuta desce o olhar até o nível das clavículas e observa o alinhamento das unhas de seus polegares.

    II

  • As clavículas devem ser levemente oblíquas. O posicionamento das clavículas é normal quando suas extremidades externas encontram-se alinhadas (as unhas dos polegares do examinador estão na horizontal) e as extremidades internas das clavículas, junto à articulação com o esterno, estão em um nível ligeiramente mais inferior em relação às extremidades externas (fig. 14).

 

fig. 14

 
  • Se os polegares encontram-se desnivelados, observar:

  • As cristas ilíacas estão alinhadas? Se no início do exame não tivermos equilibrado a pelve sobre um membro inferior de comprimento diferente, a látero-flexão da coluna lombar pode repercutir até a dorsal alta e levar a um desequilíbrio da cintura escapular.

  • Se a pelve encontra-se alinhada e as extremidades externas das clavículas não, observar a outra clavícula.

  • Se ela apresentar-se horizontalizada, é provável que este posicionamento da cintura escapular esteja sendo determinado por uma látero-flexão da coluna dorsal. Comparar este exame com o de gibosidades, se houver uma na região dorsal homolateral à clavícula mais alta, estamos frente a uma escoliose.

  • Se ela apresentar-se levemente oblíqua, como deve ser normalmente, o lado mais alto deve estar sendo levado para cima por uma tensão dos músculos suspensores da cintura escapular, fixados na coluna cervical e occipital (elevador da escápula e trapézio superior).

    III

No caso de exame para diagnóstico precoce, ambos os casos devem ser valorizados, no primeiro porque já estamos frente a uma deformidade instalada, no segundo porque a assimetria na posição dos ombros pode ser um fator de desequilíbrio do eixo raquidiano dorsal, sempre um fator de perigo em um esqueleto em crescimento. Portanto deve ser combatido o mais rapidamente possível.

Exame detalhado 

Este exame consta dos itens que podem confirmar e/ou detalhar os itens do exame básico. Apenas as crianças que apresentem anomalias no exame básico deveriam ser encaminhadas para este exame que necessariamente deveria ser executado pelo fisioterapeuta. 

  1. Equilíbrio horizontal pélvico

  2. Caída de membros superiores no plano frontal

  3. Caída de membros superiores no plano sagital

  4. Deslocamento do tronco no plano frontal

  5. Golpe de machado

  6. Teste de flexão dos joelhos

  7. Rotação externa das tíbias

  8. Alinhamento dos tendões de Aquiles

Esse exame encontra-se detalhado no artigo 
Diagnóstico Clínico das Escolioses

 
 

Bibliografia

  1. Bienfait, Marcel; [trad Angela Santos]: Os Desequilíbrios Estáticos, São Paulo: Summus, 1995

  2. Dremnan, J. C.: The Child's Foot and Ankle, Raven Press Ltd. New York 1992 Capítulo 17 - Flexible Flat Foot and Skewfoot por Vincent S. Mosca pg357-360

  3. Gilaldi, Michael e col: The low arch, Protective Factor in Stress Fractures. A Prospective Study of 295 Military Recruits. Orthop. Rev., 14:81-84, Nov.1985.

  4. Harris,R.I., e Beath, Thomas: Hypermobile Flat-Foot with Short Tendo Achillis, J. Bone and Joint Surg., 30-A: 116-140, Jan. 1948.

  5. Santos, A.: Diagnóstico Clínico Postural, São Paulo: Summus, 2001

  6. Staheli L.T., Chew D. D., Corbett M. T.: The Longitudinal Arch, J. Bone and Joint Surg., 69: 426-428, 1987.

  7. Tachdjian, M.O.: Pediatric Orthopedics Vol IV 2nd ed. 1990

 
 
 

 

 

Home | Projeto Convergências | Fisioterapia Estática | Movimento Integral Biomecânica da Coordenação Motora | Fisioterapia em Movimento
Ginástica Holística | Livros | Cursos | Cadastro de Alunos