Abordagens Músculo-Esqueléticas No Tratamento Das Dores Crônicas
Angela Santos
IV
SIMBIDOR
São Paulo 9 e 10 de Maio de 2003
Este
seminário terá duas partes:
Primeira
Uma
tentativa de classificação das dores
Um
modelo de questionário para orientar a anamnese que, através da
análise do sintoma doloroso tentará chegar ao diagnóstico da causa
da dor.
Exemplos de diagnósticos e de condutas a serem adotadas frente a
eles.
Segunda
Definição das abordagens músculo-esqueléticas no tratamento dessas
dores, que são:
Terapias manuais - aquelas nas quais o paciente é passivo e o
instrumento de terapia é a mão do terapeuta
Terapias complementares cuja base é o movimento e o alongamento.
Nelas o paciente é ativo e o terapeuta ajuda e conduz.
Minha experiência pessoal didática é de ensino em cursos de
formação continuada e supervisões há mais ou menos 20 anos. Assim,
o conteúdo aqui apresentado é essencialmente prático, fruto de
trabalho em consultório no dia a dia com o paciente. A
apresentação das terapias trará alguns princípios fisiológicos que
poderiam explicar sua eficiência.
Essas terapias podem portanto carecer de pesquisa mas não de
aplicações práticas. Ficarão aqui como sugestões para aqueles que
me ouvem e fazem carreira universitária.
Classificação das dores Segundo M. Bienfait
Com a finalidade de facilitar a discussão vamos pedagogicamente
classificar as dores dos pacientes que mais freqüentemente
procuram o fisioterapeuta em cinco diferentes tipos, apesar de
todas as imprecisões e sobreposições que possam resultar. Essa
divisão é proposta por Marcel Bienfait:
1. Dores de posicionamento
Provocadas por posições mantidas longamente e gestos inúmeras
vezes repetidos.
São
as dores profissionais.
São
AS ANCESTRAIS, as precursoras das artroses e das lesões por
esforços repetidos.
São
devidas a tensões ligamentares excessivas e desequilíbrios de
pressão sobre as superfícies articulares.
Características:
Não
é aguda.
Instala-se progressivamente.
O
paciente não sabe precisar o momento em que apareceu.
Não
é constante.
Desaparece com o repouso.
Alivia com a troca de posição durante o trabalho.
2. Dores estáticas
Comparáveis às anteriores, apesar de serem também de
posicionamento, não são localizáveis com precisão.
São
resultado de tensão ligamentar
São
sobretudo devidas a desequilíbrios de tensão da musculatura
tônica, responsável pela manutenção prolongada da postura, que
entra em retrações dolorosas.
Características:
É
suportável mas existe há muito tempo - o paciente procura ajuda
por isso
Tende a piorar.
O
paciente não é capaz de situar o momento em que começou.
A
dor instalou-se progressivamente e estende-se a toda uma região,
às vezes desloca-se.
Começa pela manhã e piora com o decorrer do dia.
Melhora ou desaparece apenas com a posição em decúbito.
O
movimento não a faz piorar, às vezes até melhora.
Ex.
Retração de escalenos (Síndrome do desfiladeiro)
Ex. Retração de piriformes (Falsa dor
de hérnia)
3. Dores artrósicas
Com
freqüência são resultado de desequilíbrios posturais longamente
mantidos.
A
artrose manifesta-se na articulação por um desgaste das
superfícies cartilaginosas e por densificação, ou mesmo
calcificação, do sistema ligamentar.
Características:
Aparecem ao movimento.
O
movimento encontra-se limitado nos dois sentidos (na rotação
interna e externa, na flexão e na extensão...).
O
movimento repetitivo leva a uma irritação e reação inflamatória
dolorosa. Por essa razão, nesse item classifico as dores por
esforço repetitivo, que levam a várias outras manifestações mas
também a artroses.
Conseqüência para a terapia em uma artrose já estabelecida:
Apesar do paciente necessitar de fortalecimento muscular esse deve
ser realizado através de exercícios isométricos em posições de
correção articular ou com um mínimo de amplitude articular.
Movimentos repetitivos devem ser evitados.
A
reeducação postural e as pompages articulares com objetivo de
reidratação devem preceder a musculação.
4. Dores osteopáticas
Lesão osteopática é aquela que impede um determinado
micro-movimento de uma peça óssea. São intermitentes e podem ser
reproduzidas apenas em certas circunstâncias, em certas posições.
Características:
São
dores em geral recentes.
O início pode ser relatado.
São intensas e podem até chegar a um estágio de dor aguda.
Manifesta-se ao movimento, que é impedido pela dor.
O movimento no sentido oposto permanece possível, devido ao fato
de que o movimento que desperta a dor aumenta a tensão responsável
pela lesão.
Por exemplo, uma vértebra dorsal em lesão de anteflexão pode
realizar o movimento de anteflexão, mas quando o tronco é levado
para trás em póstero-flexão a tensão já presente aumenta e causa
dor que impede o movimento.
Terapia:
A intervenção de uma técnica ósteopática é necessária. Apesar do
fisioterapeuta nem sempre ter essa formação, saber diagnosticar a
presença de uma possível lesão osteopática já é um grande mérito.
Ele pode encaminhar ao profissional adequado.
Pompages são manobras de tensionamento músculo-aponeurotico lentas
graduais e progressivas, são utilizadas nesses casos com alguma
possibilidade de sucesso.
As manobras osteopáticas requerem formação longa e específica, mas
as pompages, técnica herdada da osteopatia, pode ser mais
facilmente incorporada ao arsenal fisioterápico.
5. Dores devidas a patologias músculo-esqueléticas internas
Nelas, um ou dois tipos de dores anteriormente descritas podem
associar-se.
Nesse grupo podemos classificar:
Irritações radiculares devidas a osteófitos ou diminuição de
espaços intervertebrais ou foraminais.
Abaulamentos discais.
Hérnias discais.
Articulações reumáticas.
A ação do fisioterapeuta é paliativa, essas patologias não são
"curáveis", mas suas complicações podem ser amenizadas ou
prevenidas através de orientação e reeducação postural adequadas.
Modelo de interrogatório para classificação do tipo de dor: Proposto por M. Bienfait
Esta lista de questões não é completa e pode comportar outras
adaptadas a cada caso.
a. Qual é sua profissão e suas posições de trabalho?
Trata-se de uma primeira questão indispensável quando estamos
frente a dores raquidianas. Para a região dorsal, por exemplo,
estas dores são freqüentemente devidas a uma posição encurvada
para frente mantida por muito tempo. Na região lombar, devidas a
esforços para elevação de cargas. Se este for o caso, o terapeuta
deverá pensar em uma dor de posicionamento ou uma dor por esforços
repetidos, associada a deterioração discal se as dores forem
antigas e de queimação, seja por uma lesão osteopática se a dor
for recente e sobretudo se apresenta um caráter agudo ou
sub-agudo.
b. Há quanto tempo você sofre com esta dor?
Esta questão deve ser também colocada desde o início do
interrogatório.Vimos que uma dor antiga ou muito antiga orientará
nossas suspeitas para uma dor de posicionamento ou sobretudo para
uma dor estática. Uma dor recente fará pensar em uma lesão
osteopática.
c. Pode situar de forma exata o início e as circunstâncias
desta dor?
Esta questão completa a precedente. Para uma dor de origem
estática, o paciente em geral é incapaz de situar o início e os
primeiros sintomas. É ainda menos capaz de avançar uma hipótese
sobre a causa. A dor instalou-se progressivamente e piorou aos
poucos. Para uma dor de posicionamento, o paciente é incapaz de
situar o início, mas é perfeitamente consciente da causa. Para uma
dor osteopática, a instalação foi súbita e é raro que o paciente
não lembre do seu início e das circunstâncias ou do movimento que
a provocou.
d. Onde situa-se esta dor?
Esta questão completa também as duas precedentes. Em uma dor de
posicionamento, o paciente é incapaz de localizar a dor com
precisão. Nas lesões osteopáticas, ocorrerá com freqüência a mesma
coisa, seja a lesão dolorosa primária ou secundária. Por outro
lado, em uma dor estática, ele pode raramente ser preciso.
Trata-se de uma dor difusa, mais ou menos extensa, às vezes pode
mesmo se deslocar.
e. A dor é permanente ou eventual?
A resposta desta questão só deve ser tomada em consideração após
uma verdadeira inquisição por parte do terapeuta. Muitos
pacientes, obcecados pela dor, respondem que ela é constante. Após
questões mais precisas e um pouco de reflexão acaba por concordar
que a dor desaparece em determinados momentos do dia ou em certas
circunstâncias. Isto leva a pensar em uma dor de posicionamento ou
uma dor estática. As dores osteopáticas podem atenuar-se em certas
posições, e nunca desaparecem completamente.
f. Qual movimento aumenta ou provoca a dor? Qual movimento atenua
ou faz desaparecer a dor?
Numa dor de posicionamento, o movimento acentua a dor mas o
movimento inverso a atenua ou a faz desaparecer. Em uma dor
estática o movimento, seja qual for, traz com freqüência alívio,
mas a dor recomeça imediatamente quando o movimento cessa. Em uma
lesão osteopática, o movimento que vai no sentido da lesão pode
atenuar a dor, enquanto o movimento que vai no sentido inverso a
exagera nitidamente. Com exceção dos períodos inflamatórios, a dor
por artrose só aparece durante o movimento. Na região da coluna,
ela é sempre bilateral e ocorre em todas as amplitudes.
g. Qual posição atenua ou aumenta a dor?
Esta questão permite com freqüência diferenciar uma dor de
posicionamento de uma dor estática. Uma dor de posicionamento
desaparece, em geral, em uma posição inversa àquela que a
provocou. Para as dores estáticas, as mudanças de posicionamento
têm pouca influência sobre a dor, podem simplesmente atenuar-se um
pouco. Apenas a posição deitada a faz desaparecer. As mudanças de
posição nunca atenuam a dor osteopática, ao contrário,
determinadas posições podem aumentá-la consideravelmente.
h. Qual é a influência do repouso sobre a dor?
As dores de posicionamento desaparecem por completo através de um
repouso em posição de decúbito. As dores estáticas desaparecem ou
atenuam-se consideravelmente, depende de serem mais ou menos
antigas. O repouso tem pouca influência sobre as dores
osteopáticas ou sobre as dores por artrose.
i. Qual o trajeto que segue a dor? Em que zona ela se situa?
Esta questão deve ser colocada quando suspeita-se de uma irritação
radicular. Se a dor segue trajeto preciso, o do nervo
correspondente à raiz irritada, nos situamos em uma zona
metamérica e a resposta confirma o diagnóstico e localiza a
irritação.
j. Teve períodos inflamatórios articulares?
Esta questão segue a precedente. Se os períodos inflamatórios
ocorrem durante um estado de dor permanente ao movimento, se elas
são localizadas na mesma articulação, são sinal de uma provável
artrose articular. Se ao contrário, ocorrem sem uma grande dor
prévia, sobretudo se ocorrem em várias articulações, trata-se
certamente de uma afecção mais grave que deve ser orientada por um
especialista.
k. A dor é maior à noite do que durante o dia?
Esta questão deve ser colocada quando há queixas de cervicalgias e
sobretudo de lombalgias. As aponeuroses do psoas e do longo do
pescoço são grandes aponeuroses de drenagem, desta forma estão com
freqüência sujeitas à inflamações tóxicas (psoite) que criam dores
noturnas que desaparecem ou se atenuam consideravelmente desde que
o paciente se levante e ande. Estes casos se tratam facilmente
pelas "pompages" circulatórias destes músculos.
l. Sofreu algum tipo de acidente? Se a resposta for
positiva qual foi seu tratamento?
O fisioterapeuta deve conhecer os antecedentes traumáticos do
paciente, mesmo aqueles muito antigos. Ele deve insistir muito em
colocar questões mais precisas: fratura, ferimento muscular, lesão
de ligamento, de tendão, traumatismos diversos, entorse, etc. Isto
é indispensável, porque estes acidentes com freqüência deixaram
apenas uma vaga lembrança. Deve-se conhecer também o tratamento
realizado após estes incidentes. Tudo isto orientará as pesquisas
do terapeuta e lhe permitirá evitar certos movimentos ou solicitar
manobras perigosas.
m. Que tratamento você faz atualmente para as dores? Que resultado
ele lhe traz?
A evolução da dor
Em linhas gerais, poderíamos dizer que a dor evolui da dor de
posicionamento, para a dor estática e finalmente para a dor
artrósica, na medida em que a condição do sistema
músculo-esquelético evolui de uma situação de excesso de tônus
muscular, que causa desconforto e é passível de melhora com um
posicionamento em decúbito, para uma verdadeira retração muscular
que já pode fixar um desvio postural e levar a dores mais
importantes por estimular de forma constante terminações nervosas
de cápsulas, ligamentos, fáscias e finalmente para alterações
inflamatórias seguidas de espessamento dos elementos articulares
da região.
Dores Posturais
As dores posturais poderiam ser explicadas por aumento excessivo e
mantido de tônus.
Este ocorre freqüentemente nos arranjos posturais necessários ao
equilíbrio frente à ação da gravidade. O recurso neurológico mais
simples para as reações posturais é o reflexo miotático direto.
Vamos revê-lo aqui, com o fuso muscular e suas fibras nervosas
aferentes e eferentes.
Se entrarmos e sairmos de determinadas posições, as fibras
musculares recrutadas para garantir esses gestos, contraem e
relaxam enquanto outras, de grupos vizinhos, harmonicamente
orquestradas pelo sistema nervoso central entram em ação. Mas, se
um segmento permanece de em uma posição por longos períodos é de
se imaginar que as fibras musculares inicialmente solicitadas
podem até mesmo relaxar mas um mesmo número de fibras do mesmo
grupo muscular entra em ação para garantir a posição fixada. O
tônus permanentemente excessivo começa após algum tempo causar
desconforto e dor.
Em um primeiro momento, se o indivíduo em questão deitar, a
gravidade deixando de agir permite ao grupo muscular relaxar
grande parte das fibras, trazendo uma sensação de alívio. Uma
massagem leve, um alongamento suave do local, uma boa orientação
postural pode liberar o paciente de suas queixas.
Como vimos, essas dores são associadas a atividades profissionais.
Também podem estar associadas a atividades esportivas, quando a
orientação terapêutica é mais complexa. De qualquer forma, devemos
combater nestes casos o que R. Sohier denomina predominância
funcional. Como montar o programa terapêutico dependerá da análise
da atividade de cada um.
Por exemplo, um indivíduo frente a um computador:
Orientação postural:
Orientação da forma de sentar - apoio isquiático e lombar.
Altura da cadeira - permitindo joelhos e quadris a 90º.
Altura do teclado - permitindo cotovelos a 90º e punhos em leve
flexão dorsal.
Altura da tela - permitindo à cervical uma lordose normal.
Alongamentos voltados especialmente para trapézios. superiores,
flexores dos membros superiores, músculos cérvico-dorsais,
piriformes e isquiotibiais, que possam ser executados no próprio
escritório durante o dia.
Eventualmente massagem e/ou atividades físicas orientadas para o
alongamento desses mesmos grupos musculares, além de
fortalecimento dos grupos dinâmicos que classicamente perdem
tônus: abdominais, glúteos, Grande dorsais, tríceps, ...o ideal
seria a Fisioterapia reunir uma série de procedimentos
fisiológicos capazes de prevenção e comandar essas atividades.
Estresse
Dentre os inúmeros sintomas determinados por esse mal do mundo
atual, um aumento crônico de tônus muscular que se manifesta de
forma especialmente dramática na região cervical e cintura
escapular pode ser citado.
Como já vimos, o fuso muscular possui fibras musculares dentro de
si, as fibras intrafusais. Estas são inervadas por fibras nervosas
eferentes totalmente independentes, o sistema gama. Se estas
fibras musculares intrafusais se contraem, provocam um estiramento
da região central do fuso de onde parte a fibra nervosa aferente
que enviará estímulos à medula, a qual fará o músculo de onde
partiu o estímulo contrair. Assim, o fuso pode descarregar
estímulos sem que tenha havido modificação no comprimento do
músculo ao qual pertence. O que faz esse sistema gama descarregar?
A sensação de perigo iminente e a necessidade de colocar o músculo
em um estado de aumento de tônus para que este se prepare para uma
contração. O sistema gama leva esses estímulos a partir de centros
superiores ao fuso. O homem é, talvez, o único animal que se
impressiona por perigos imaginários- o que leva ao aumento de
tônus por estresse, que além disso desencadeará inúmeras outras
reações nocivas ao organismo, sempre que esse fenômeno se
prolongar excessivamente.
Assim, se notarmos que o paciente que chegou até nós, no estagio
patológico (e de dor) que for, apresenta sinais evidentes de um
estresse crônico, técnicas de relaxamento mais importantes devem
ser usadas:
Massagens profundas, procedimentos de contato e até mesmo
relaxamento induzido. Qualquer técnica que o faça entrar em
contato com sua sensação de tensão, reduzi-la e fazê-lo sentir o
que é soltá-la, será útil.
Dores estáticas
Esse estágio corresponde ao músculo já em um estado de retração
que não cede apenas com uma posição de decúbito. Nesse caso
podemos nos deparar com duas possibilidades:
O músculo consegue retornar a seu comprimento ideal com
alongamentos precisos e prolongados, como os obtidos através de
pompages, massagens profundas ou posturamento (alongamento em
cadeia). Nesse caso os sintomas associados a essa tensão cessam.
Aqui é necessário uma reeducação postural para que não se retorne
à situação inicial.
O músculo não consegue retornar a seu comprimento ideal, mesmo com
as técnicas anteriormente citadas, o estado de retração já avança
para uma fibrose, por exemplo, o que impossibilitaria o retorno a
uma situação normal ou próxima dela.
Aqui podemos citar dois exemplos:
–
Braquialgia por tensão de escalenos.
–
Ciatalgia por tensão de piriformes
Dores por artrose
Neste caso, como já vimos, as dores são acompanhadas por
alterações articulares, limitação de movimento e dores ao
movimento.
Frente ao desgaste articular, presença de osteófitos, densificação
das estruturas conjuntivas articulares, sejam de que gravidade
for, deve-se evitar os movimentos repetitivos, especialmente com
carga. Deve-se dar preferência a contrações musculares isométricas
com o segmento a ser tratado e o corpo como um todo, alinhados.
Todas as articulações em posição de função, o que as protege. Esse
princípio deve ser obedecido nos trabalhos de musculação, nos
posturamentos em cadeia (como os que são feitos em RPG)... Os
subsídios para aplicarmos tais princípios devem ser procurados na
Coordenação Motora de Piret e Béziers, trabalho que tive a
oportunidade de revisitar em meu livro A Biomecânica da
Coordenação Motora.
- Vamos tomar o membro superior como exemplo:
Como achar a posição denominada de coordenação, ideal para
trabalho com carga?
O estudo do equilíbrio entre grupos musculares antagonistas leva a
interessantes conclusões sobre relações força-comprimento e
condições de alongamento dos músculos.
Um músculo encontra-se em repouso quando ao ser tocado está
relaxado. O bíceps estará nessa situação quando o cotovelo estiver
posicionado a 90o e o antebraço sustentado. O tríceps estará
relaxado com o braço pendente ao longo do corpo. Quando o cotovelo
estiver com cerca de 130º de flexão, ambos os músculos estarão
igualmente alongados, em cerca de 1/5 de seu comprimento. Esse
ponto corresponde a um momento ótimo de trabalho tanto para o
bíceps como para o tríceps. É o momento de passagem da flexão para
a extensão ou da extensão para a flexão. Se, nessa posição,
solicitarmos um esforço isométrico de todo o segmento membro
superior, tanto bíceps quanto tríceps se contrairão
simultaneamente, além dos grupos musculares ligados à cintura
escapular e antebraço, o que distribui as tensões e realiza um
trabalho global de força em todo o segmento.
Se procurarmos essa posição intermediária para cada segmento
corporal (membro superior, inferior, tronco) e as imobilizarmos
simultaneamente nessa posição, os músculos flexores e extensores
se encontrarão igualmente alongados e constataremos que é a
posição de semiflexão adotada por quem precisa o máximo de força
muscular para um esforço como elevar um peso, o máximo de
eficiência para uma largada de velocidade em uma corrida ou para
estabilização e equilíbrio como no esqui. Essa é denominada
"posição de coordenação" por Piret e Béziers. Reunindo força e
equilíbrio, é a melhor condição para o trabalho muscular.
– Continuando com o membro superior como exemplo gostaria de
lembrar que mais de 90% das assim chamadas Lesões por Esforço
Repetitivo (ou mais recentemente DORT), ocorrem nesse segmento.
Muitas das queixas começam pelo ombro. Como já disse, as dores
resultantes dessas lesões podem ser incluídas no item dores
artrósicas.
Nesse exemplo tão comum na prática do dia a dia no consultório,
resolver se possível ou impedir essas dores passa necessariamente
por técnicas de reeducação postural, com ênfase no adequado
posicionamento do ombro. Os elevadores da cintura escapular devem
ser flexíveis o bastante para permitirem que esta desça e a
escápula seja rebaixada sempre que o braço precise mover levando o
úmero à frente do corpo. Conseguir essa flexibilidade envolve uma
série de procedimentos:
Massagens profundas.
Procedimentos de contato.
Posturamento
– alongamento em cadeia dos flexores do membro
superior.
Para um adequado movimento escápulo-umeral, a escápula deve ser "encaixada",
isto é, deve descer sobre o gradeado costal, fixando-se contra ele
pela ação, entre outros, do trapézio inferior. Para tanto, o
trapézio superior não pode ser hipertônico. Só então, sob ação do
bíceps longo, entre outros, o úmero deve ser elevado.
A porção longa do bíceps origina-se na região superior da cavidade
glenóidea da escápula e corre para fora seguindo um plano frontal,
o que o torna abdutor; corre anteriormente ao úmero, o que o faz
flexor; por alojar-se entre o tubérculo maior e o menor, ao
contrair-se se apóia sobre esse último imprimindo um componente de
rotação interna ao movimento do ombro. Este movimento concomitante
de flexão-abdução-rotação interna ocorre sempre que o úmero se
anterioriza para toda e qualquer ação do braço.
Se os elevadores da cintura escapular (trapézio superior e
elevador da escápula) encontrarem-se excessivamente tensos, o
ombro não desce, a escápula não encaixa, isto é, não desce para
ancorar-se contra o gradeado costal e o úmero não roda
internamente durante a flexão, isso provoca atritos entre
superfícies intra-articulares que em médio prazo resultam em
reações inflamatórias e dor (síndrome do impacto é uma
possibilidade).
Esse posicionamento da escápula deve ser rigorosamente obtido,
seja para atividades que requeiram pequenos movimentos, como
digitar ou atividades que requeiram força e maior amplitude como
fazer uma massagem, escrever em um quadro negro etc.
Métodos fisioterápicos manuais e de movimento úteis no tratamento
das dores crônicas.
Métodos manuais:
Massagem.
Pompage.
Manobras corretivas.
Métodos de movimento:
Posturas de alongamento em cadeia.
Procedimentos de contato.
Orientação de posicionamento adequado.
Estes tipos de abordagens, de efeitos evidentes em reabilitação
funcional ou correção postural, são também eficazes no tratamento
da dor, especialmente a dor crônica.
Massagem
É, talvez, o recurso fisioterápico mais antigo.
Desprezado por algumas gerações de fisioterapeutas que não queria
ser tomados por massagistas, é um procedimento que nunca deixou de
ser prestigiado pelos que sempre tiveram uma abordagem "manual" da
profissão.
Através da massagem estimula-se mecanicamente tecidos moles, o que
tem efeitos circulatórios, especialmente venosos e linfáticos, por
produzir variação no calibre dos vasos; efeitos relaxantes ou
tonificantes, por estimular receptores nervosos musculares,
tendinosos, articulares e cutâneos; efeitos preventivos na
formação de aderências do tecido conjuntivo, pós-imobilização ou
cicatrização; efeitos de drenagem linfática das vias
respiratórias.
Há muito tempo, (anos 30) os fisioterapeutas foram levados a
interessar-se pelo tecido sub-cutâneo, por constatarem que em
muitos casos de moléstias ou disfunções havia um grau importante
de aderência entre tecido sub-cutâneo e tecido aponeurótico na
região do dorso. Essa aderência é mais importante que o aumento de
tônus nessas zonas. O amassamento sistemático e o deslocamento do
tecido tecido conjuntivo subcutâneo às vezes proporcionam
resultados inesperados melhorando esses sintomas clínicos que
aparentemente nada têm à ver com aquela tensão ou aderência.
Baseando-se esclusivamente na experiência clínica, fisioterapeutas
como E. Diecke ou H. Theirich-Leube, descreveram zonas dorsais e
órgãos ou distúrbios internos correspondentes.
Essa massagem é conhecida como de zonas reflexas ou do tecido
conjuntivo.
Sem ter feito uma aprendizagem ou prática clínicas que me
permitissem constatar o efeito dessas manobras de massagem de zona
reflexa em pacientes com problemas clínicos internos, meu trabalho
no serviço de Ortopedia do Hospital das Clínicas entre 73-76 me
permitiu praticar essa terapia em pacientes ortopédicos, muito
especialmente aqueles portadores de dores crônicas em todas as
regiões raquidianas e o resultado é surpreendente.
As manobras são, na ordem de aplicação:
Pinçamento.
Traços profundos transversais.
Traços profundos longitudinais.
Deslizamento transversal de prega cutânea.
Deslizamento longitudinal de prega cutânea.
Nos casos de muita tensão e aderência, o efeito nas primeiras
sessões é de muito dolorimento, como o produzido por excesso de
trabalho muscular. Tais manobras devem liberar o mesmo tipo de
toxina? Desconheço trabalhos a respeito, mas o fato é que após a
segunda ou terceira sessão esses efeitos tornam-se muito sutis e
acabam por desaparecer totalmente após a quinta ou sexta. As dores
crônicas com freqüência desaparecem concomitantemente.
Claro que isso não resolve a dor para sempre. Como já discutimos,
dependendo de cada caso existem outros procedimentos a serem
introduzidos.
Mais recentemente, (anos 60-70), Ida Rolf desenvolveu nos Estado
Unidos, práticas de masssagem profunda que também têm o objetivo
de atingir o tecido conjuntivo fascial, numa tentativa de torna-lo
mais desaderido, mais flexível, que denominou Rolfing. Essa
técnica se propõe massagear todo o corpo em dez sessões. Seus
efeitos são muito satisfatórios.
Tenho a impressão de que toda e qualquer técnica de massoterapia
que consiga atingir a estrutura fascial que nos estrutura é
fundamental no processo de recuperação da circulação de líquidos,
melhoria do estado nutricional do músculo, de sua flexibilidade e
como conseqüência alívio das dores decorrentes das tensões
crônicas, das estases, das retrações.
Devemos lembrar que as fáscias que envolvem o músculo encontram-se
em continuidade umas com as outras. Um músculo quase sempre
apresenta, além das inserções ósseas algumas conexões
aponeuróticas com músculos vizinhos. Assim, da nuca aos pés existe
uma única estrutura fascial.
No entendimento desse fato anatômico reside a compreensão da
função motora global, assim como a globalidade das disfunções. Uma
retração, uma estase pode ter repercussões à distância por essa
razão.
Pompages
São manobras de alongamento muscular ou descompressão
articular utilizadas originalmente por osteopatas com o objetivo
de preparar o segmento em que se encontra a articulação a ser
tratada, fazendo os músculos diminuir sua tensão, e portanto
diminuir também sua retração. Foram desenvolvidas por Cathie,
médico osteopata, e há alguns anos Marcel Bienfait as sistematizou
utilizando-as em fisioterapia.
As pompages podem ter diferentes objetivos: circulatórios,
musculares e articulares.
A manobra deve ser realizada no sentido das fibras musculares e
transcorre em três tempos:
No primeiro tempo, tensiona-se o segmento. O terapeuta alonga
lenta, regular e progressivamente as fibras até o limite de sua
elasticidade, para que não se provoque o descarregamento dos
informantes do alongamento do músculo, os fusos. Tudo deve ser
realizado "em silêncio". O terapeuta deve sentir-se um ladrão que rouba comprimento ao
músculo sem ser descoberto pelos vigias. Essa é a imagem que deve
realmente ser levada a sério. A pompage é manobra tão simples e
leve que é muito difícil executar-se convenientemente. O
fisioterapeuta acaba quase sempre por ser excessivo, não
acreditando que aquele "quase nada" é o primeiro passo para se
obter um efeito extraordinário. No segundo tensionamento, o
fisioterapeuta e o paciente sentirão a amplificação do movimento
sob a ação de uma força de mesma intensidade, e assim por diante.
Em um segundo tempo, a tensão obtida deve ser mantida, por volta
de 20 segundos. Esse é o tempo principal da pompage voltada para
as fibras musculares ou para a abertura da interlinha articular.
O terceiro tempo é a fase de retorno, que deve ser lenta, uma vez
mais, para não provocar o reflexo contrátil do músculo.
A manobra deve ser repetida entre cinco e dez vezes.
Manobras corretivas
Devem ser realizadas de forma suave para não haver o aparecimento
de reflexos miotáticos (sobre os quais já discorremos
anteriormente). São realizadas tomando todo um segmento, onde
aparece um desvio postural, colocando-o em posição de
hiper-correção.
Aqui vamos dar exemplo apenas de uma manobra corretiva torcional
do membro superior, útil na reeducação da postura em elevação da
escápula e suas conseqüências.
O paciente apresenta ombros excessivamente elevados (trapézio
superior), anteriorizados (peitoral maior+menor), cotovelo em
excessiva flexão (braquial anterior+bíceps) antebraço em prono (pronadores).
A manobra corretiva de membro superior inicia-se colocando-se o
segmento proximal (ombro) em "desenrolamento" levando-se a
escápula para baixo, o mais longe possível da orelha.
Em geral o úmero coloca-se em excessiva rotação externa, o
antebraço se flete e a mão coloca-se em desvio cubital. São as
compensações a essas primeiras retrações que tentamos alongar.
Mantendo-se a escápula, corrigimos o úmero, colocando-o em
rotação interna.
Quando sentirmos que o paciente pode manter sozinho a
escápula, mantemos o úmero, posicionamos o antebraço em supinação e a mão em
desvio radial, centralizando-a
Essa posição de torções opostas dos segmentos é mantida pelo
terapeuta que tenta alongar todo o membro - é a única forma de tratar
globalmente as retrações que atingem os músculos do membro
superior.
Assim que o paciente consegue manter
sozinho a posição, o
terapeuta recomeça a manobrar o outro membro superior.
Posturas de alongamento em cadeia
O corpo humano, como qualquer corpo articulado submetido às leis
da gravidade, para permanecer equilibrado deve compensar qualquer
desequilíbrio pelo desequilíbrio inverso no mesmo plano e de mesmo
valor. Assim, na patologia do músculo estático, toda deformidade é
acompanhada por uma (ou mais) compensações, com o objetivo de
recolocar o centro de gravidade do corpo, de forma que sua
projeção continue caindo dentro da área de sustentação do corpo.
Em qualquer desvio postural, devemos procurar sua causa causa e
qual a musculatura estática responsável por sua fixação, mas
também precisamos procurar sua compensação ou compensações e
verificar se estão fixadas. Se esse for o caso, é preciso eliminar
a compensação antes de atacar a deformidade. Para corrigir a
deformidade devemos impedir as compensações.
Uma criança, por hábitos posturais inadequados precocemente
estabelecidos, desenvolve retração do músculo sóleo. Na posição
ortostática esse sóleo, encurtado, puxa a tíbia para trás
determinando o aparecimento de um recurvatum. Olhado em plano
sagital, o membro inferior se posterioriza. "Todo desequilíbrio
requer um outro, do mesmo valor e de sentido oposto no mesmo
plano, para o equilíbrio ser preservado"; a pelve, pode então bascular anteriormente para recolocar o centro de gravidade à
frente, centralizando-o. Isso acarreta uma hiperlordose lombar. Os
paravertebrais da região, também estáticos, podem facilmente
entrar em retração.
O tratamento da retração inicial (sóleo) deve ser realizado
impedindo-se a compensação da lordose lombar ou será fadado ao
fracasso.
Cada retração tratada criará tensões à distância. Isto só pode ser
impedido pelo "posturamento" do paciente antes de iniciar-se o
procedimento que irá agir sobre a deformidade e suas compensações.
A primeira a desenvolver essa idéia foi Françoise Mezières. A
musculatura estática, também antigravitária, em grande proporção
situada na região posterior do corpo, é colocada sob tensionamento
na posição que denominada "postura", capaz de impedir a instalação
de compensações quando exercemos um gesto terapêutico sobre o
segmento a ser tratado.
A Postura
O paciente encontra-se em decúbito dorsal, cervical em lordose
longa, membros inferiores com a coxo-femural em 90º, joelhos na
máxima extensão possível e pés em talo. Nessa posição, toda a
musculatura posterior antigravitária encontra-se sob tensão. Além
disso, todas as curvas da coluna se reduzem graças ao mesmo
tensionamento: a curva cervical se alonga, a cifose dorsal
retifica-se, a lordose lombar desaparece. Todos esses fatores
impedem qualquer compensação ao longo desses segmentos. Essa
postura deve estar no limite das possibilidades de alongamento dos
músculos posteriores, nunca além, sob pena de desencadearmos
contração ou hipertensão muscular (contração isométrica) reativa,
graças ao miotático.
Procedimentos de contato
Com suas próprias mãos ou empregando materiais adequados, a partir
de um firme contato através da pele, o fisioterapeuta pode
conseguir espetaculares resultados de relaxamento de retrações da
musculatura tônica. Esse resultado é inegável pela sensação que se
segue, pela diminuição da dor, (quando presente, associada à
retração) e pelo aumento da amplitude articular.
Meus primeiros contatos com esses procedimentos ocorreram através
da Eutonia, depois da Ginástica Holística, que por sua vez não
apresentam trabalhos de pesquisa conclusivos sobre a razão de tais
efeitos. Particularmente tenho uma opinião, que, logicamente
necessitaria comprovação: o órgão tendinoso de Golgi e seus
aferentes inibidores Ib devem ser a causa dos efeitos obtidos.
O órgão tendinoso de Golgi é o receptor destinado a informar o
sistema nervoso central sobre os níveis da tensão do músculo. É
particularmente sensível à tensão causada pela contração muscular.
Seu estímulo parece ser a deformação mecânica sofrida por suas
estruturas, o que pode ocorrer de duas formas:
Por estiramento dos próprios feixes colágenos, o que leva à
deformação dos terminais nervosos de forma semelhante ao que
ocorre nos fusos musculares, desencadeando-se um estímulo da fibra
nervosa aferente inibidora.
Seria essa uma outra explicação para o efeito das pompages
descrito anteriormente?
Por contração das fibras musculares e conseqüente alongamento
das fibras colágenas, que são seus próprios prolongamentos. Essas
fibras aproximam-se e apertam os terminais nervosos a elas
ligados, fazendo-os descarregar.
Assim, apertar os terminais nervosos pode ser uma forma de
estimular a inervação aferente Ib, que, como sabemos, é inibidora.
Procedimento de contato manual
Continuando no clássico sóleo, ao palpá-lo no meio da perna,
através da bifurcação do gastrocnêmio (Fig. 19a/b) que tem na
superfície uma consistência mais mole, sentimos com freqüência uma
região profunda mais tensa e muito dolorida. Se mantivermos
longamente a pressão sobre esse ponto, a dor passa, haverá uma
sensação de alívio e a articulação tibiotársica ganha amplitude.
Essa pressão pode ser exercida ao longo de toda a região posterior
da perna.
Na literatura americana esses pontos são denominados
trigger
points e por serem reprodutíveis em vários indivíduos nos mesmos
locais já existem mapas dos trigger points e a que músculos
associam-se.
Procedimento de contato com a utilização de materiais
O mesmo trabalho sobre o sóleo pode ser feito com a ajuda de uma
bola de tênis (de preferência usada) ao longo de toda a
panturrilha.
O efeito é semelhante, com a vantagem de o paciente poder
trabalhar sozinho.
Como já disse, Eutonia e Ginástica Holística são fontes de idéias
para tais procedimentos, que podem ser empregados em todo e
qualquer músculo tônico.
Bibliografia
Bienfait,M. Fisiologia da Terapia Manual.
São Paulo, SummusEd. 1987
Bienfait,M. Bases Elementares Técnicas da
Terapia Manual e Osteopatia. São Paulo,SummusEd. 1997
Bienfait,M. Fáscias e Pompages. São
Paulo, SummusEd. 1999
Chaitow, L. Modern Neuromuscular
Techniques, Nova Iorque, Churchill-Livingstone,1996
Kandel, E.R. Schwartz, J.H. Principles of
Neural Science, London, 1982
Kohlrauch,W. Masaje Muscular de las Zonas
Reflejas, Barcelona, Toray-Masson,1968
Piret S. Béziers M.M. A coordenação
Motora. São Paulo, SummusEd. 1992
Rothwell, J. Control of Human Movement
2nd ed. London 1994
Santos, Angela A biomecânica da
Coordenação Motora. São Paulo, SummusEd, 2002.
Teirich-Leube,H. Le massage du tissu
conjonctif dasn les zones reflexes, Strasbourg, Imprimerie
Icam, 1988
Currículo de Angela Santos
Fisioterapeuta formada pela USP em 1973.
Fisioterapeuta do Serviço de Ortopedia do Hospital das
Clínicas da Universidade de São Paulo, onde atuou especialmente
junto ao Grupo de Joelho do Prof. Marco Amatuzzi e ao Serviço de
Amputados - de 74 a 76.
Mudou-se para a Europa em 1976:
– Na Escócia estagiou no Centro Nacional para Treino e Educação
em Próteses e Órteses da Universidade de Strathclyde em Glasgow.
– Na Suíça foi fisioterapeuta do Hospital Cadolles em Neuchâtel,
da Clínica Ossola e Rimoldi em Lugano e do centro modelo de
referência para a reabilitação e educação de portadores de
paralisia cerebral, Centre IMC, em La Chaux de Fonds. Neste
período fez formação Bobath de reabilitação em Neurologia,
método Halliwick de natação para deficientes físicos
– Na França fez a formação em Reeducação Postural Global no
então Centro Mézières em St Mont em 83.
De volta ao Brasil em 1984, dedicou-se exclusivamente à area
de reeducação postural e desde então trabalha como autônoma em
consultório particular.
– Traduziu os quatro primeiros estágios de formação em RPG no
país e traduziu também vários livros relacionados ao método.
Em 1989 e 1990 viajou para a França para a formação em
Ginástica Holística.
Em 1992 traduziu A coordenção motora de Piret e Béziers.
Traduziu toda a obra de Marcel Bienfait.
De 1992 a 1998 trabalhou junto com ele organizando, traduzindo
e ministrando a parte teórica dos seminários de formação em
Terapia Manual no Brasil.
Em 1993 idealizou e colocou em prática o Projeto Convergências
de formação contínua em fisioterapia. Trata-se de um curso de
240 horas teórico-práticas que estuda linhas de trabalho
voltadas para a reabilitação e aperfeiçoamento da postura e
movimento, sintetizando-as com o objetivo de delinear esse campo
de trabalho em fisioterapia que nele é denominado FISIOTERAPIA
ESTÁTICA.
Publicou pela Summus Editorial :
– Diagnóstico Clínico Postural, em 2001
– A
Biomecânica da Coordenação Motora, em 2002.
– Postura Corporal, em 2005