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A Escoliose Na Paralisia Cerebral

Simone di Leone Garcia Sanchez

 
 

O paciente portador de paralisia cerebral apresenta padrões anormais de postura, movimento e equilíbrio. Estes resultam do tônus postural anormal e alteração da inervação recíproca dos músculos, que decorre da interferência na maturação normal do sistema nervoso central por uma lesão não progressiva. O evento lesivo pode ocorrer no período pré, peri ou pós-natal.

Sua apresentação varia segundo a distribuição topográfica (quadriplegia, diplegia, paraplegia, hemiplegia, monoplegia) e tipo (espástico, atetóide, atáxico, hipotônico, misto).

A classificação da etiologia da escoliose em Paralisia Cerebral definida pela "Scoliosis Research Society" é de origem neuropática por lesão do motoneurônio superior. 

As escolioses neuropáticas severas são mais observadas em pacientes quadriplégicos espásticos. A incidência foi de 54% com prevalência de 76,6% em uma população acamada estudada por Madigan e Wallace (1981), sendo a frequência em região tóraco-lombar, lombar e torácica em ordem decrescente cuja progressão foi diretamente proporcional ao tamanho da curva na época da maturidade óssea.

Podem apresentar padrões de curvas semelhantes às escolioses idiopáticas, lordo-escoliose encontrada na curva torácica, como também apresentar longa curva em "C" colapsando em escoliose ou cifose, frequentemente estendendo-se e incluindo o sacro como parte da curva descritos por Lonstein e Akbarnia (1983).

Madj e outros (1997) verificaram a correlação entre a severidade da deformidade espinal e o declínio funcional em uma população de adultos institucionalizados com Paralisia Cerebral.

Têm inicio precoce com rápida progressão durante o crescimento e continua depois da maturidade óssea, principalmente em curvas com medida do ângulo de Cobb maiores que 35 graus descritos por O'Brien e outros (1975).

A presença de obliqüidade pélvica associada às curvas neuropáticas impede que a pelve mantenha sua horizontalidade na posição sentada e permaneça perpendicular à coluna no plano frontal. A associação com a rotação pélvica pode ser causada por contratura dos músculos que se fixam acima e abaixo da pelve.

Shook (1997) descreveu um teste para a obliqüidade pélvica. Bancroft e Curtis (1972) classificaram as causas em três categorias anatômicas: suprapélvica por desequilíbrio e/ou paralisia dos músculos espinais; transpélvica por anomalia do músculo psoas que leva a uma flexão de quadril e báscula da bacia; e infrapélvica por luxação paralítica, unilateral do quadril.

O procedimento não cirúrgico da escoliose neuropática tem como meta a manutenção da posição equilibrada da coluna nas três dimensões do espaço sobre a pelve em posições funcionais (sentado e em pé) com condições cardio-respiratórias para a boa qualidade de vida do indivíduo. São utilizadas órteses que modelam as regiões tóraco-lombo-sacrais (OTLS) de prolongado uso (após maturidade óssea) como também cadeiras especiais que favoreçam o bom alinhamento do tronco permitindo boa função nesta posição e andadores para a posição em pé.

Estes procedimentos não impedem que a deformidade apareça ou evolua. A fisioterapia é imprescindível para que o indivíduo tenha a oportunidade de utilizar seu tronco sem estes acessórios.

O tratamento cirúrgico é indicado quando o indivíduo perde a condição de manter-se sentado devido a presença de dor em proeminência isquiática por tomada de peso irregular, pressão aumentada no grande trocanter e por contato entre costelas e pelve. Esta situação leva a uma pobre toalete pulmonar, espaço pulmonar restrito e aumento de ocorrências de infecções e pneumonia. Presença de curvaturas acima de 40 graus a partir da idade de 7-8 anos. A técnica utilizada é de Luque-Galveston que tem a abordagem anterior com dissecção dos discos intervertebrais e enxerto ósseo (banco de ossos), seguida de abordagem posterior com fixação de hastes de T1 à L5, deixando mobilidade somente nas articulações coxo-femurais (Fergunson et al, 1996). A cirurgia encontra fatores limitantes no que concerne à pobreza de massa muscular para as fixações internas e osteoporose.

O tratamento segundo o método neuro-evolutivo conceito Bobath propõe o trabalho ativo dos músculos para permitir uma boa estabilidade em tronco inferior para que a função em tronco superior seja adequada, na posição sentada com simetria como também em pé (com andadores adaptados). Prepara para uma função específica por manuseio utilizando técnicas de inibição, facilitação e estimulação de padrões de movimento mais próximo do normal. Seu enfoque é multidisciplinar com ênfase no trabalho em equipe e treinamento familiar/cuidador.

O aspecto mecânico da organização psicomotora do homem proposto por Piret e Béziers fundamentam a coordenação motora sobre o princípio do movimento perpétuo na oposição das rotações. O trabalho terapêutico estimula a vivência do espaço interno e o gesto estruturante do paciente, dando-lhe a sensação do volume do corpo através da modelagem das massas musculares, a percepção motora de como o corpo se desloca ativamente no espaço e tempo e, assim, assimilar as percepções sensoriais observadas associando-as às experiências vividas. Consideram como movimentos fundamentais do corpo humano a marcha e a preensão.

 
 
 

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